Floresta Inova e Realiza Festa Inesquecível na Abertura do Cariri Cangaço 2017


A noite do ultimo dia 12 de outubro; dia da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida; o município de Floresta, no sertão pernambucano inovou e proporcionou uma das maiores festas de abertura por ocasião do Cariri Cangaço Floresta-Centenário de Nazaré 2017. O evento de forma inédita aconteceu em praça pública; Praça João Novaes; tendo como testemunha o imponente prédio do "Antigo Batalhão de Floresta", um dos mais espetaculares representantes do patrimônio arquitetônico pernambucano e nordestino.

Contando com a presença de autoridades civis, militares e religiosas, regionais e nacionais, representantes de universidades e institutos culturais, professores, alunos, pesquisadores e escritores de exatos 16 estados do país e a presença maciça da família florestana, o Cariri Cangaço pela primeira vez tinha uma edição com abertura em praça pública.

 Ana Gleide Souza Leal, cerimonialista da noite de abertura do Cariri Cangaço
Palco do Encontro em Floresta

A cerimonialista Ana Gleide Souza Leal deu inicio a solenidade convidando para fazer parte do tablado oficial, montado na calçada do antigo batalhão, os senhores prefeito e vice-prefeito de Floresta, Ricardo Ferraz e Pedrinho Vilarim, o presidente da Câmara Municipal Beto Souza, o prefeito de Poço Redondo, Junior Chagas, a presidente da Fundação Padre João Câncio, Helena Câncio, Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço, além de secretários municipais: Da ação social e também primeira dama, Dona Ivoneide; da educação Ana Cláudia e da mulher, dona Luana ; Padre Luciano e Major Washington da Policia Militar do estado de Pernambuco.

Sob os aplausos e a surpresa do enorme público presente que lotou a praça João Novaes, uma comitiva de vaqueiros entrou em cena  trazendo as bandeiras que comporiam o pavilhão oficial para a execução dos hinos, nacional e de Floresta. Em seguida as apresentações artísticas ficaram a cargo do Grupo de Artes Cênicas Caroá além de apresentação da Orquestra Nelson Rosa, de Floresta.  

 
 Público espetacular na abertura do Cariri Cangaço Floresta:Praça do Batalhão !
Pavilhão sob o cuidado dos vaqueiros florestanos...

No inicio da solenidade a senhora Ester Marques apresentou o perfil e a historia da professora Lindaura Gomes de Sá que em 1950, comandou no antigo prédio do Batalhão o Pensionato da Divina Providência, época em que foi construído o anexo, que, segundo o historiador Leonardo Ferraz Gominho, abrigava as atividades de tecelagem, corte e costura, oficina, todos do Centro Profissional fundado pela educadora florestana. 

 Pavilhão e os Hinos; nacional e de Floresta.

 Grupo de Artes Cênicas Caroá
Orquestra Nelson Rosa

O Cariri Cangaço foi apresentado pelos Conselheiros, Juliana Pereira e Geraldo Ferraz, que mostraram os principais números que envolvem o Cariri Cangaço; como suas sedes, as edições, os números de palestras , debates e visitas como também as agendas para os próximos anos: "Já são oito anos de atividades, 19 Eventos com a realização de exatas 98 conferencias, 45 Mesas de Debates, 70 Visitas Técnicas, mais de 80 livros lançados num encontro por onde já passaram mais de 600 pesquisadores e um publico de mais de 35 mil pessoas na mais autentica iniciativa da integração desta maravilhosa Nação Chamada Nordeste. Que hoje mais uma vez marco seu encontro com Floresta!" Reforça Juliana Pereira.

 Geraldo Ferraz e Juliana Pereira apresentaram o Cariri Cangaço
 Ester Marques e a vida de Lindaura Gomes de Sá
 Marcelo Leal e seu "Onildo Almeida" em Floresta...

Em seguida o pesquisador Gonzaguiano Marcelo Leal passou às mãos do Maestro da Orquestra Nelson Rosa um exemplar de sua obra sobre o grande compositor Onildo Almeida, "para que se possa perpetuar a partir de jovens talentosos como os músicos de Floresta, a obra desse grande compositor que foi Onildo Almeida" afirmou Marcelo Leal.

Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço, foi o próximo a usar a palavra quando celebrou a chegada pela segunda vez do Cariri Cangaço ao município de Floresta."Viver esse momento nos enche de emoção e orgulho; agora somos uma só família Floresta. Temos amigos que percorreram milhares de quilômetros para estarem aqui, encham o peito de entusiasmo e orgulho por serem florestanos. Nosso principal legado é permitir que nossa principal matéria prima, que são nossas crianças possam ter a honra de ser nordestino, conhecendo de perto e tendo orgulho de sua historia e origem".

 Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço na abertura em Floresta

Manoel Severo em seguida convidou aos Conselheiros Manoel Serafim e Raul Meneleu para passar às mãos do senhor prefeito, Ricardo Ferraz, do vice-prefeito Pedrinho Vilarim e do presidente da Câmara Municipal Beto Souza, o Diploma de SEDE OFICIAL DO CARIRI CANGAÇO 
ao município de Floresta.

 Floresta: Sede Oficial do Cariri Cangaço

Logo após foram convidados os Conselheiros Professor Pereira e Edvaldo Feitosa para passar às mãos das personalidades; escritor José Bezerra Lima Irmão e da professora Ana Gleide Souza Leal, os Diplomas de Amigos do Cariri Cangaço, honraria concedida também de forma póstuma ao fazendeiro Washington Gomes Lima; bisneto de Ângelo da Gia, emblemático personagem do sertão nordestino; diploma recebido de forma muito emocionada por sua viúva, senhora Michele e sua irmã senhora Rute, pelas mãos do prefeito Ricardo Ferraz e do Conselheiro Manoel Serafim. 

 José Bezerra Lima Irmão e o Diploma de Amigo do Cariri Cangaço
 Ana Gleide recebe seu Diploma das mãos de Archimedes Marques, 
Edvaldo Feitosa e professor Pereira
 Manoel Serafim e Ricardo Ferraz entregam homenagem póstuma do Cariri Cangaço a dona Michele, viuva de Washington Gomes Lima

Receberam em seguida seus títulos de Amigo do Cariri Cangaço, os senhores: Beto Souza, Pedrinho Vilarim e Ricardo Ferraz , respectivamente; presidente da Câmara, vice e prefeito de Floresta, que receberam das mãos de Professor Pereira, Edvaldo Feitosa e da Presidente da Fundação Padre João Câncio, Helena Câncio. Manoel Severo passaria por fim às mãos da vereadora Bia Numeriano também seu Diploma de amiga do Cariri Cangaço. O Conselheiro Cariri Cangaço e artista plástico, Archimedes Marques passou às mãos do pesquisador Geraldo Ferraz uma homenagem sob forma de escultura em papel machê, representando seu avô, o comandante das forças volantes, Theophanes Ferraz Torres.

Manoel Severo, Archimedes Marques, Geraldo Ferraz e Elane Marques
 Presidente da Câmara de Floresta, Beto Souza
Pedrinho Vilarim, vice-prefeito de Floresta
 Helena Câncio e Prefeito Ricardo Ferraz
Prefeito Ricardo Ferraz

O prefeito de Floresta, Ricardo Ferraz encerrou com suas palavras a parte solene da noite de abertura do Cariri Cangaço e ressaltou com entusiasmo a grande realização do evento, pela segunda vez em Floresta, afirmando a grande contribuição que o Cariri Cangaço empresta à consolidação da cultura e memoria do nordeste. Dali deu-se inicio a programação oficial do Cariri Cangaço Floresta 2017 com os conferencistas; Leonardo Gominho, Geraldo Ferraz e Marcos de Carmelita, tema da noite: O Histórico Batalhão de Floresta. Leonardo Gominho remontou aos idos de 1879 para começar a contar a histórica trajetória do emblemático Batalhão de Floresta, passando pelas características do próprio município , e todas as fases do augusto prédio , chegando aos dias de hoje com o patrimônio já tombado aguardando a urgente restauração. "Ano passado o Cariri Cangaço encampou a luta do tombamento e o governo ouviu o pedido do Cariri Cangaço, hoje esta tombado , mas precisamos cobrar a todos essa restauração".

 Pesquisadores Leonardo Gominho, Geraldo Ferraz e Marcos de Carmelita, encerram em grande estilo a primeira noite de Cariri Cangaço Floresta 2017
 Conferências de Luxo: Batalhão de Floresta

Geraldo Ferraz em suas palavras emocionadas retratou a trajetória e a ligação de seus avós; Amélia e Theophanes Ferraz Torres com o próprio Prédio do Batalhão; discorrendo sobre a passagem daquele brilhante representante da Força Pública em defesa do sertão contra o banditismo rural, notadamente contra o cangaço. Já o pesquisador e escritor Marcos de Carmelita, focou sua conferência de maneira espetacular e talentosa sobre o episódio do levante do Batalhão de Floresta por ocasião da Revolução de 1930, encerrando de maneira magistral a primeira noite do Cariri Cangaço Floresta-Centenário de Nazaré, 2017.

Fotos: Louro Teles, Ingrid Rebouças

Cariri Cangaço Floresta-Centenário de Nazaré
Praça do Batalhão, 12 de Outubro de 2017
Floresta, Pernambuco

Nos Encontramos em Floresta !



Quando penso em nosso Cariri Cangaço e vejo o quanto já caminhamos, os desafios assumidos e vencidos e o quanto avançamos na direção de humildemente colaborar com a consolidação da força de nossas raízes, meu coração enche de gratidão... Gratidão a todos que ao nosso lado acreditaram que podíamos fazer... E estamos fazendo!

Quando penso em Floresta e Nazaré, me vem ao coração e à alma a força desta gente que aprendi a respeitar, admirar e amar profundamente, daí talvez Deus ter me permitido, mesmo sem nenhum merecimento; a imensa honra de me tornar filho adotivo deste chão...
Quanto penso em Floresta e Nazaré, me vem à cabeça e alma os muitos dias em que juntos;TODOS JUNTOS; conseguimos reunir em torno não só de um evento, mas de um sentimento, a energia, a alegria e o entusiasmo necessários para contagiar o Brasil de alma nordestina e realizar um Grande Encontro.

Querida Floresta e querida Nazaré, saibam que estamos todos muito felizes em desembarcar em sua Casa, conhecer um pouco mais de sua historia e celebrar o que realmente importa: A vida é a arte do encontro...Precisamos fazer valer cada encontro. Muito obrigado de coração e até lá... Estamos muitos felizes em poder reencontra-los, sempre será assim...
Manoel Severo

Cariri Cangaço Floresta
Centenário de Nazaré 

Memorial das Forças Volantes


Nazaré do Pico completa 100 anos. Todos os apaixonados pela historia do cangaço sabem que ali; na vila mais famosa dessa incrível saga do sertão; nasceram e viveram alguns dos mais destemidos perseguidores de Virgulino Ferreira da Silva. Famílias inteiras se dedicaram com coragem ao combate ao banditismo cangaceiro; muitos e muitos de seus filhos tombaram diante dessa luta cruel e penosa que abalou nosso chão. Neste próximo dia 14 de Outubro, dentro da Programação do Cariri Cangaço Floresta-Centenário de Nazaré, o Cariri Cangaço estará, ao lado do povo Nazareno e das autoridades constituídas, dando inicio ao grande Projeto do Memorial das Forças Volantes; em reverência não só aos bravos homens que defenderam o sertão, mas e principalmente em reverência a História, resgatando assim e colocando Nazaré em seu devido lugar dentro da historiografia da luta contra o cangaço.

Manoel Severo
Curador do Cariri Cangaço

A Fundação de Nazaré Por:José Bezerra Lima Irmão


Por volta de 1917, o professor Domingos Soriano Lopes Ferraz, preocupado com a insegurança dos moradores da região com a guerra sem fim entre os Pereira e os Carvalho, os assaltos dos Pequenos, as incursões dos jagunços de Cassimiro Honório e dos desordeiros da Serra do Umã, resolveu formar um arraial em sua fazenda Algodões, na estrada dos romeiros, município de Floresta do Navio, na beira do Riacho da Ema.
A notícia espalhou-se. Amigos e parentes de Soriano gostaram da ideia. O próprio Soriano riscou as linhas da pracinha, marcando onde seriam construídas as duas fileiras de casas, ficando a capela numa cabeceira e sua casa de morada na outra. O padre Antônio Zacarias de Paiva, entusiasmado com a ideia, batizou a futura povoação com o nome de Nazaré. A padroeira seria Nossa Senhora das Dores. Depois a padroeira passou a ser Nossa Senhora da Saúde.


Graças ao prestígio do professor Domingos, muitos fazendeiros se comprometeram a construir casas no arruado, mesmo que só as utilizassem nos dias de feira e de missa. Os primeiros a aderir ao projeto de Soriano foram seu cunhado João Flor, Antônio Gomes Jurubeba, da fazenda Jenipapo, Pedro Tomás, da Lagoa do Mato, e Raimundo Nogueira, do Pico.

Dona Joaninha Ferreira (Joana Lopes, viúva de Ferreira Catendo), da Serra Vermelha, cunhada de um almocreve chamado José Ferreira, aceitou o convite do antigo professor de seus filhos e fez também sua casa em Nazaré, mudando-se para lá.

José Ferreira, em virtude de atritos de seus filhos com o filho de um vizinho, vendeu seu terreno na Serra Vermelha. José Ferreira não tinha interesse em morar no povoado em formação, pois do que ele precisava era um local para criar seus bichos. Em janeiro do ano seguinte, 1918, ao saber que um homem chamado Antônio Freire estava vendendo um pequeno sítio no Poço do Negro, a meia légua de Nazaré, José Ferreira mandou o cunhado Manoel Lopes dar uma olhada. Manoel Lopes viajou acompanhado dos três sobrinhos – Antônio, Livino e Virgulino. Os rapazes gostaram da propriedade. Manoel Lopes fechou negócio.

José Bezerra Lima Irmão e o Cariri Cangaço

A nova casa de José Ferreira no Poço do Negro ficava a meia légua de Nazaré, ao lado esquerdo da estrada velha que ia para Floresta. Embora Nazaré fosse município de Floresta, o Poço do Negro ficava no município de Vila Bela (atual Serra Telhada), pois o Riacho Grande ou Riacho da Ema, que separa os dois municípios, fazia uma volta à esquerda, logo abaixo do povoado, e o Poço do Negro ficava no outro lado do riacho. Era uma casa ampla, de tijolos crus, com 9 metros de frente por 10 de fundo, tendo um pé de umbu-cajá à frente. Ao lado direito da casa ficava o curral de pau a pique. Do mesmo lado, cinquenta metros mais abaixo, ficava a casa de Manoel Lopes, e mais adiante, o riacho. Dali se avistava, do lado do nascente, a bonita Serra do Pico, ponto de referência nas planuras cinzentas daquelas caatingas.

Domingos Soriano, homem instruído, cabo eleitoral de Ildefonso Ferraz, chefe político de Floresta, logo conseguiu um grande feito: tornou-se dono do cartório de registro civil de Nazaré.

Em 1923 Nazaré já possuía umas 40 casas, formando uma única rua, em forma de retângulo. Àquela altura, o almocreve José Ferreira, tendo-se mudado para Alagoas, já havia sido assassinado, e seus três filhos mais velhos, revoltados, tinham ingressado no bando de Sinhô Pereira. Um deles, Virgulino, era agora conhecido como Lampião.


O primeiro delegado de Nazaré foi João Lopes de Sousa Ferraz (João Lopes da Ilha Grande), irmão do professor Domingos Soriano. A feira era realizada às quartas-feiras debaixo de uma quixabeira, em frente à casa de dona Florisbela, da fazenda Olhões.

Dos fundadores de Nazaré, o homem de maiores posses era Antônio Gomes Jurubeba, conhecido como seu Gomes, dono da fazenda Jenipapo – por seu prestígio e coragem, era “o homem da terra”, a quem todos consultavam e obedeciam. Já dos que chegaram depois, considerados “forasteiros”, os mais abastados eram dona Joaninha Ferreira, tia de Lampião, e seus enteados Cândido Ferreira, Norberto Ferreira e João Ferreira Lima.

A feira local era realizada às quartas-feiras. Uma vez por mês, o vigário de Vila Bela vinha celebrar missa, batizar meninos e celebrar casamentos. Chegava sempre na terça-feira. Hospedava-se na casa de Antônio Gomes Jurubeba. Na quarta, depois da missa, voltava para Vila Bela.

A fundação de Nazaré, em 1917, é assinalada por um de seus filhos mais ilustres, João Gomes de Lira, em sua preciosa obra “Lampião: Memórias de um Soldado de Volante” (Recife: Fundarpe, 1990, p. 7/13).
Em 1939, em decorrência de um decreto desastrado do interventor federal Agamenon Magalhães, a legendária denominação do povoado foi mudada para Carqueja, renegando o profundo significado histórico do nome daquela povoação que serviu de berço aos bravos “Nazarenos” – os “Cabras de Nazaré”. Felizmente os moradores tiveram bom senso e exigiram que a povoação voltasse a ter a antiga denominação. Em 1990, mediante projeto do vereador Oscar Ferraz Filho, o povoado passou a denominar-se Nazaré do Pico.




Diferentemente do que ocorreram noutras localidades do sertão, em que muitos jovens se tornaram cangaceiros, em Nazaré praticamente todos os homens e rapazes ingressaram nas volantes. Os primeiros a alistar-se na polícia foram Arcôncio de Sousa Ferraz, Manoel de Sousa Neto (Manoel Neto), Antônio Capistrano de Sousa Ferraz, Odilon Nogueira de Sousa (Odilon Flor), Isaías Ferraz Nogueira, José Freire da Silva e Francisco Marques dos Santos (Chiquinho Marques). Em seguida, Davi Gomes Jurubeba, Pedro Gomes de Lira, João Domingos Ferraz e Ângelo Inácio da Silva (Ângelo Caboclo). A partir daí, perdeu-se a conta. Eram os chamados “Nazarenos”, ou “os Cabras de Nazaré”, inicialmente da volante do sargento Higino José Belarmino e mais tarde do famoso Manoel Neto. Calcula-se que mais de 100 filhos de Nazaré e arredores – irmãos, primos, todos aparentados – se dedicaram a perseguir Lampião.

Os nomes mais famosos são: Manoel Neto, Odilon Flor, Euclides Flor, Davi Jurubeba, Arcôncio, Afonso, Hercílio, Lero e Manoel Flor (Mané Tinindo). Morreram nas mãos de Lampião e seu bando mais de 20 nazarenos, dentre os quais Gabriel de Sousa (Bié), Olímpio Gomes Jurubeba, Inocêncio de Sousa Nogueira, José Alves de Sousa Ferraz, Idelfonso de Sousa Ferraz (Idelfonso Flor), Cândido de Sousa Ferraz, João Gregório Neto, Hercílio de Sousa Nogueira, Adalgísio de Sousa Nogueira e João Cavalcanti de Araújo (João de Anísia).

Paradoxalmente, o ódio dos nazarenos a Lampião tinha um viés dissimulado. Euclides Flor chorou quando Lampião morreu. E Manoel Jurubeba disse, consternado: “Morreu Lampião. Acabou-se a alegria do sertão”.


Por José Bezerra Lima Irmão
Autor de “Lampião – a Raposa das Caatingas”
Salvador, Bahia

Abertura dia 12 de Outubro de 2017
Praça do Batalhão de Floresta
Floresta, Pernambuco

Dona Fideralina Augusto – Mito e Realidade Por:Cristina Couto


O efeito mágico que as águas do Rio Salgado têm feito na vida dos lavrenses sempre foi um verdadeiro prodígio. Seu poder de fertilização edificou na mente dos seus filhos a capacidade de poetizar e de buscar a fundo suas origens. 
Em Lavras da Mangabeira (CE) e na região do Cariri ninguém reinou tanto como Dona Fideralina Augusto Lima, mulher forte, que viveu à frente do seu tempo, numa época comandada pelos homens. Ela foi senhora da sua vontade e da vontade de muitos. Nada nem ninguém ousou desobedecer a essa velha matrona. Na sua terra natal, tudo parece que virou folclore, como nos contos mitológicos das grandes civilizações, especialmente porque aquele Município viveu todas as suas fases, tais como o nascimento, apogeu e declínio, nos permitindo, agora, uma volta ao seu passado glorioso.
 
Dimas Macedo é, hoje, o maior historiador lavrense. Com a sua memória fotográfica e o seu poder de percepção aguçada, capta as histórias perdidas e as informações escondidas. Sua sensibilidade de poeta e sua genialidade intelectual ultrapassam as fronteiras do tempo. 

Ao escrever Dona Fideralina Augusto - Mito e Realidade (Fortaleza: Armazém da Cultura, 2017), Dimas faz justiça com as próprias mãos e com o brilho da sua palavra, contestando as muitas inverdades sobre a velha matrona lavrense. Neste livro, o autor busca resgatar a história como ela é, e não como as pessoas gostariam que ela fosse. 

Com a leitura deste livro, o que acabamos descobrindo é que a fênix lendária de Lavras da Mangabeira – Dona Fideralina Augusto Lima –, renasce das cinzas em que muitos dos seus opositores teimaram em enterrar a sua memória. Nele, Dona Fideralina Augusto ressurge magnífica, imperiosa e poderosa como sempre foi, e sua história, que outrora fora escrita com estilhaços de pólvora do seu bacamarte, agora acha-se reescrita com a caneta do seu admirador maior e arqueólogo da cultura lavrense, Dimas Macedo.


Cristina Couto, Lavras da Mangabeira
Conselheira Cariri Cangaço

Manoel Severo:Cidadão Florestano !


Estamos todos envolvidos e comprometidos com a realização de mais um Cariri Cangaço. Desta vez e mais uma vez em Pernambuco, desta vez e mais uma vez em Floresta e Nazaré. Todos os nossos esforços estão na direção de proporcionar tanto aos nossos convidados como à família Florestana, um grande evento, onde a harmonia e a cordialidade daqueles que prezam pelo que temos de mais preciosos que é nossa Memória possa mostrar mais uma vez ao Brasil o tamanho e a Força, de nossa História, Cultura e Tradição. O Cariri Cangaço é uma grande construção coletiva e só se justifica a partir dessa premissa...

As emoções que cercam esse maravilhoso momento que viveremos juntos nestes próximos dias 12 a 15 de Outubro serão muito grandes, Floresta e Nazaré respiram historia do sertão, são berço de grandes personagens e cenário de grandes acontecimentos....

Para mim uma emoção especial . Minha vida inteira, apesar de muitos erros, procurei cultivar o mais absoluto bem querer às pessoas; elas fizeram, fazem e sempre vão fazer parte de minha vida. Em Floresta e Nazaré aprendi a amar um povo que me recebeu de braços e corações abertos, sempre, sempre, desde os idos de 2008 quando pela primeira vez pisei o solo sagrado florestano...


Em agosto último; a partir de Proposição da querida vereadora Bia Numeriano; foi aprovado por unanimidade, Projeto de Lei na Câmara Municipal de Floresta que CONCEDEU-ME A HONRA DE RECEBER O TÍTULO DE CIDADÃO FLORESTANO. Poucos são os momentos em que me faltam palavras... Certamente estou vivendo mais um desses... Na verdade, palavras são desnecessárias, podem acreditar, e aí quando penso em agradecer a GENEROSIDADE de Bia Numeriano, de todos os senhores vereadores, do povo de Floresta; agora mais minha do que nunca; passa pela minha cabeça, como em um caleidoscópio, a imagem de todos esse tempo e de todos os queridos amigos, agora... Irmãos, de fato e de direito.

Tenho um respeito absoluto pelos desígnios dos Céus e como Deus tem sido generoso... Floresta, Nazaré, ter a honra de ser teu filho adotivo é muito mais do que eu possa merecer, mas recebo a imensa honraria de todo coração e alma. AGORA SOMOS UMA SÓ FAMÍLIA: FLORESTA !!!!


Manoel Severo, Curador do Cariri Cangaço
Fortaleza, Ceará

Carga !!! Que venha Floresta Por:Geraldo Ferraz

Magno Araujo e Geraldo Ferraz

Vamos homenagear aos bravos homens do município de Floresta, verdadeiros guerreiros da luta incansável para colocar a paz social em Pernambuco. Theophanes, que começou a liderar tropas volantes desde o ano de 1913, com 18, anos, oportunidade na qual foi nomeado delegado de Villa Bella, atual Serra Talhada, fez valer a mão da justiça, lutando, desassombrado, com Né Pereira, Antônio Silvino, Sinhô Pereira, Luiz Padre, Antonio Matilde, Porcinos, Cipaúbas, Cícero Costa, Lampião, dentre outros. 

Sua tropa de elite, precursora da atual Companhia Independente de Operações e Sobrevivência em Área de Caatinga - CIOSAC, era formada, desde o ano de 1924, quando foi nomeado comandante Geral das Forças Volantes contra o banditismo, por parentes, compadres e amigos da sua região, conhecedores profundos da realidade do nosso sertão, onde destaco os habitantes da pequenina e resistente Nazaré. Com seu prestígio, após ficar no ostracismo por quase dois anos (problemas de ordem política), voltou a liderar as Forças volantes, no final do governo de Sérgio Loreto, em 1926. 

A partir desta data a porca torceu o rabo. Não ficou coiteiro sobre coiteiro, consideradas as muletas de Lampião. Com seu prestígio junto ao governador Estácio Coimbra e o Chefe de Polícia, Eurico de Souza Leão, conseguiu a instalação do 3º Batalhão em Floresta e a abertura da estrada de rodagem Serra Talhada/ Floresta, passando por Nazaré, para facilitar a persiga contra os cangaceiros. Não percam o encontro do Cariri Cangaço Floresta 2017 - Centenário de Nazaré ! Carga.

Geraldo Ferraz - Recife, Pernambuco
Pesquisador e Escritor,
Conselheiro Cariri Cangaço