Festa no Céu por Alcino Por:Juliana Pereira

Juliana Pereira e Alcino Costa

Hoje o céu está em festa... comemorando seus 77 anos de alegria, luz e amor. A saudade que você deixou em todos nós, se faz mais forte e manifesta. Querido e amado mestre, embora eu não possa ouvir a tua voz e te abraçar... dizer que te amo e ver aquele sorriso lindo e doce... sei que podes sentir tudo isso, todas as manifestações de carinho e amor, a ti devotadas. Sinto tanta saudade... parece que ela só aumenta com o passar dos anos... Quanta falta sinto dos teus conselhos, teu carinho, teu afeto sincero, teu amor incondicional... tua atenção e da cumplicidade que havia entre nós... 

Saudade de tudo que vivemos e compartilhamos, do teu amor paternal. A falta de sua fisicidade não diminuí o amor e à admiração por você, contudo, aumenta a cada encontro nosso. Sua falta é por demais sentida em cada encontro dos vaqueiros da história. Em cada fala, mesa, palestra, em cada reunião, em cada Cariri Cangaço, tão amado por você. Sabemos que velas por todos nós e, agora, como embaixador de todos nós no "céu". 


Brilhavas aqui, hoje brilhas no céu. Meu mestre, amigo e pai de coração e espiritual, obrigada por tudo, por seu amor, por sua presença, por continuar a nos iluminar. Nosso amor por você é incondicional e eterno. Feliz aniversário!!! E que Deus em sua infinita bondade permita que seu amor seja sentido em nossos corações. Te amo hoje, amanhã, pra sempre... Sua filha de coração e espiritual, discípula, admiradora: 

Juliana Pereira, Advogada
Quixadá-CE, 17 de junho de 2017

Alcino Alves Costa, sergipano de Poço Redondo, escritor, pesquisador, poeta, compositor, radialista, cordelista, político, palestrante, Patrono e Conselheiro Eterno do Cariri Cangaço, Sócio da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço

ICC e Cariri Cangaço, Juntos !

Emerson Monteiro e Manoel Severo

A manhã desta última sexta-feira, dia 16, marcou a consolidação de mais um importante apoio ao Cariri Cangaço Exu 2017. Em reunião na sede do ICC – Instituto Cultural do Cariri ficou definido a assinatura do Instituto para a realização do aguardado evento na terra que é o berço do Rei do Baião; Exu; na Chapada do Araripe, em Pernambuco.

Representando o ICC, o pesquisador e escritor Emerson Monteiro, ressaltou a “importância e o valor do trabalho que o Cariri Cangaço inaugurou e que perpetua de maneira corajosa por estes últimos oito anos em prol da preservação da memória e história da região” e conclui: “Para nós é uma grande alegria esta assinando o Cariri Cangaço Exu ao lado de outras organizações e instituições de credibilidade, sem duvidas teremos um grande evento em Exu”.

Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço lembra: “Ainda em 2009 quando de nossa primeira edição, o ICC esteve ao nosso lado; nos ajudou a conceber o formato, a articulação, enfim, foi parceiro de primeira hora e fundamental na construção de nosso Cariri Cangaço, a partir de amigos como Huberto Cabral, Armando Rafael, Hugo Rodrigues, Carlos Rafael, Wilton Dedê, Dr Napoleão, Bola, Peixoto Junior, o presidente na época Manoel Patrício, enfim são tantos companheiros; esse espetacular e tradicional ICC, que é uma referência para a Cultura chega novamente ao Cariri Cangaço e desta vez para ficar. Para nós é uma grande honra e muitas outras novidades virão desta parceria entre o ICC e o Cariri Cangaço, nos aguardem”.

Manoel Severo e o Presidente do ICC na época, Manoel Patrício, Nezim; ainda em 2009

Um pouco do ICC - Instituto Cultural do Cariri por um de seus sócios, nosso confrade, pesquisador e escritor, Heitor Feitosa Macedo: "No dia 18 de outubro de 1953 foi fundado o Instituto Cultural do Cariri (ICC), com sede na cidade do Crato, funcionando nas primeiras décadas em casa de um de seus sócios fundadores, o farmacêutico José Alves de Figueiredo Filho. A finalidade do referido instituto era promover o estudo das ciências, letras e artes em geral, especialmente o estudo de História e Geografia, assemelhando-se à instituições bem mais antigas, como o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, no Rio de Janeiro, fundado em 1838; o Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, instalado em 1862, em Recife; e, principalmente, o Instituto do Ceará, criado em 1887, em Fortaleza."

Urbano Silva, Oleone Fontes, Heitor Macedo, Manoel Severo e Geraldo Ferraz no Cariri Cangaço Lavras da Mangabeira.

E continua Heitor Feitosa Macedo: "Ao lado de Figueiredo Filho outros intelectuais abraçaram a ideia de criar um sodalício dedicado à produção do conhecimento, fomentando debates e pesquisas. Assim, também contribuíram para a criação do ICC os médicos Irineu Pinheiro e Raimundo Quixadá Felício; o padre Antônio Gomes de Araújo; o músico do Exército Otacílio Anselmo; o advogado Raimundo de Oliveira Borges; o dono de engenho Celso Gomes de Matos; o técnico em contabilidade Francisco de Sousa Nascimento; o jornalista João Lindemgerg de Aquino; o tenente-coronel Raimundo Teles Pinheiro; etc..." 


"Nas publicações dos primeiros membros do ICC é frequente a abordagem de temas históricos e, apesar de boa parte dos integrantes do instituto possuir curso universitário, nenhum tinha formação superior em História, até porque este curso só veio a ser criado no Brasil a partir da década de 1930.Desta maneira, os padres, advogados, médicos e farmacêuticos foram os responsáveis por tecer os fios da história do Cariri no começo do século XX. Tratando o assunto com certo rigor, a exemplo do Padre Gomes, muitos fatos históricos puderam ser melhor explicados à luz de novos documentos e interpretações mais adequadas, algumas vezes restaurando as teses dos velhos cronistas caririenses que haviam caído em descrédito.Quanto ao nome dado à revista, deve-se a um dos principais rios do Crato, o Itaytera, palavra indígena que quer dizer “rio que corre por entre as pedras".


Cariri Cangaço - ICC
Crato, 16 de Junho de 2017

A Cobertura Jornalística da Hecatombe de Garanhuns


Ninguém pesquisou tanto, na história recente, a Hecatombe de Garanhuns, e os personagens daquela tragédia, que o professor e escritor José Cláudio Gonçalves de Lima. O resultado é um livro com mais de 400 páginas, com documentos inéditos, depoimentos e registros que ajudam a compreender a atmosfera da época, principalmente política, que acabou desencadeando no registro triste de 1917. Histórias que ninguém havia contado até agora. As pesquisas de Cláudio, com foco nos registros dos jornais, levam até aos anos seguintes, conseguindo contar como a cidade e as pessoas envolvidas na tragédia seguiram adiante.

"Missão finalizada e em paz com todos que estavam naquele dia 15 de janeiro. A maior realização foi dizer que não se trata apenas de uma tragédia, mas ali estavam grandes nomes da cultura e da política de Garanhuns, que precisavam ser mencionados em suas importâncias para nossa história" - Registra o autor.
O ESCRITOR HISTORIADOR: Cláudio Gonçalves nasceu em Garanhuns, estudou no Erem Francisco Madeiros, Colégio Jerônimo Gueiros e Diocesano. Cursou graduação e especialização em História pela UPE. Professor da Rede Estadual e Municipal de Ensino, atuando em 2001 como Coordenador do Sintepe, regional Agreste Meridional. 

José Cláudio Gonçalves de Lima

Na Cultura de Garanhuns, é membro da Academia de Letras de Garanhuns ocupando a Cadeira nº 39 do Patrono Alberto da Silva Rêgo, sendo também sócio fundador do Instituto Histórico e Geográfico de Garanhuns, sendo eleito o seu primeiro presidente. 

No ano do centenário da Hecatombe de Garanhuns, conduziu os trabalhos da Comissão do Memorial do Centenário da Hecatombe, promovendo com os demais componentes no dia 15 de janeiro de 2017 os eventos de reverência as vítimas e soldados mortos na cadeia pública de Garanhuns. 
Como pesquisador se interessou no ano de 2000 pelo fato histórico a Hecatombe de Garanhuns, iniciando uma pesquisa minuciosa através de jornais, revistas, iconografias, processo e entrevistas com familiares e testemunhas oculares do fato. Nesse laborioso trabalho investigativo e de muitas horas de analises de documentos no Arquivo Jordão Emerenciano na Capital pernambucana, em 2009 lança o seu primeiro livro intitulado "Os Sitiados - A Hecatombe de Garanhuns", um romance histórico, obra que teve grande aceitação da sociedade garanhuense. 
Obstinado em encontrar novos documentos sobre a Hecatombe de Garanhuns, diante da vasta documentação que dispunha resolveu escrever um novo livro, cujo trabalho pudesse ser fonte de pesquisa para professores, estudantes e pesquisadores. 

O resultado foi o novo livro A Cobertura Jornalística da Hecatombe de Garanhuns, que aborda o fato trazendo as publicações dos principais jornais da Capital à época, mas o autor amplia as informações com os capítulos Por Trás do Mundo da Notícia, narrando o que os jornais não publicaram. Por que aconteceu a Hecatombe de Garanhuns? Qual o cenário político no início da República na cidade? Quais os personagens dessa tragédia política de repercussão nacional? Como foi o julgamento dos envolvidos? Qual o destino dos criminosos? São perguntas respondidas nesse livro que em suas 416 páginas fundamentadas com documentos e imagens revelam com riqueza de detalhes um dos fatos mais marcantes da historiografia garanhuense e pernambucana.

O livro A Cobertura Jornalística da Hecatombe de Garanhuns, é uma contribuição histórica que o autor deixa para Garanhuns.

CONTATOS COM O AUTOR
Cláudio Gonçalves de Lima
(87) 3762.3970
(87) 9.9904.4357
Fonte: http://blogdoronaldocesar.blogspot.com.br

90 Anos da Resistência é Lembrado em Mossoró

Presidente da SBEC, Professor Benedito Vasconcelos em Sessão Magna em Mossoró

Mossoró realizou durante toda a semana festejos em alusão aos 90 anos da resistência de Mossoró ao bando de Lampião. No dia 12, segunda-feira aconteceu a Sessão Magna realizada na Câmara Municipal de Mossoró e dia 13, terça-feira Palestra do Cineasta Silvio Coutinho e apresentação do Making-off do festejado documentário "Chapéu Estrelado"no Fórum das Artes, vizinho ao Memorial da Resistência.

Sessão Magna marcando os 90 anos da Resistencia de Mossoró

Na Sessão Magna da Câmara Municipal com a presença de inúmeras autoridades, pesquisadores, professores e estudantes, houve entrega da Medalha do Mérito Cultural Vingt-un Rosado a 23 personalidades culturais da região, dentre elas o Conselheiro Cariri Cangaço, pesquisador,poeta e escritor Kydelmir Dantas.

Palestra do Cineasta Silvio Coutinho

Dia 13, a Palestra do Cineasta Silvio Coutinho e apresentação do Making-off do festejado documentário "Chapéu Estrelado" marcou também a posse de Marcela Carvalho e do próprio Silvio Coutinho como novos Sócios Honorários da SBEC. Marcela Carvalho lançou um livro infantil sobre Virgulino Ferreira da Silva, Lampião.

Mossoró Festeja 90 Anos de Resistência
Mossoró, 12 e 13 de Junho de 2017

Lampião Comunista Por:Junior Almeida


Sobre o maior cangaceiro de todos os tempos, alguns conceitos são bem variados. A maioria acha que Lampião foi bandido, outros, no entanto afirmam que Virgulino foi um herói. Lampião foi herói e foi bandido, dependendo o lado da história em que se estava. Perguntaram certa vez ao coronel Audálio Tenório, de Águas Belas, Pernambuco, amigo e coiteiro do cangaceiro, como ele definia Lampião. O potentado respondeu sem pestanejar, demonstrando toda a sua admiração pelo Rei do Cangaço, disse ele:
-Lampião era um homem extraordinário, um homem de
uma [grande] resistência, dos nervos de aço. Um monstro,
uma fortaleza, homem de uma delicadeza sem igual com
os companheiros.
Ainda da região Agreste de Pernambuco, coronel Zezé Abílio, de Bom Conselho, também era amigo de Virgulino, portanto para ele o cangaceiro teria sido um herói. Em alguns casos, para alguns Lampião foi herói e depois bandido, em curto período de tempo. Foi o caso dos coronéis, Petro, da Bahia, Zé Pereira, de Princesa Izabel, na Paraíba, além de Izaías Arruda no Cariri cearense.
Esses eram amigos do cangaceiro, e o tinham como herói, afinal lucravam com essa amizade, mas tendo rompido com Lampião, e só depois disso, Virgulino passou então a ser para eles um perigoso bandido. O coronel do Ceará, por sinal, pagou com a vida o “desentendimento” com Lampião, seu ex-amigo e seu ex-herói. Zé Pereira e Petro escaparam da ira do cangaceiro, mas tiveram inúmeros prejuízos por conta da rixa com Lampião.

Antonio Vilela, Assisão, Junior Almeida e José Tavares
Ao contrário dos admiradores de Lampião, existiram os que não só o tinham como bandido cruel, como destemidamente o combatia. É o caso dos nazarenos. Qualquer pessoa de Nazaré do Pico, distrito de Floresta, Pernambuco, dos antigos que se empenharam na luta ao banditismo, ou mesmo seus descendentes e moradores atuais, dificilmente alguém tenha dito que Lampião foi um herói.
Padre Frederico Bezerra Maciel, glamourizou muitos dos atos do cangaceiro, muitas vezes com relatos de ações que ninguém ouviu falar e até mesmo de sicários que nunca existiram. Padre Frederico através de suas palavras transformou, para muitos, Lampião em herói.
Já disseram também que Lampião teria sido uma espécie de Hobin Hood, aquele lendário personagem inglês que roubava dos ricos para dar aos pobres, quando na verdade, quem tem alguma noção do que foi o cangaço, sabe que era justamente ao contrário. Herói, bandido, e até como revolucionário já descreveram Lampião, só faltando, porém, descrever a causa da sua revolução, mas a descrição mais curiosa que fizeram de Virgulino Ferreira da Silva foi de que ele era comunista. Isso mesmo. Comunista, daqueles sempre associados a anti-cristos, invasores de terras e até comedores de criancinhas.

Frederico Pernambucano de Mello, citando o jornal Gazeta de Notícias de 26 de agosto de 1936, nos conta em seu “Estrelas de Couro a Estética do Cangaço”, que “o secretário do Interior e Justiça do Ceará, Martins Rodrigues, membro da poderosa Liga Eleitoral Católica, a LEC, movimento direitista simpático ao governo, em visita à cidade de Juazeiro do Norte no mês de agosto de 1936, em discurso às lideranças locais, disse com ares de mistério que tinha consultado ‘certos documentos’ no Rio de Janeiro, que lhe permitiam sustentar que os dirigentes do extremismo vermelho não tinham escrúpulos de lançar mão de todos expedientes e elementos, até mesmo de cangaceiros como Lampião, para serviço de seus sinistros planos.”
Como podemos perceber nas declarações à imprensa do ilustre secretário, para ele Lampião era um comunista a serviço da esquerda brasileira e, portanto os católicos da direita, inimigos naturais dos comunistas, deveriam se precaver contra o avanço da dita “praga”.

Junior Almeida
Pesquisador e Escritor do Cariri Cangaço
Capoeiras, Pernambuco

A Morte de Zé Baiano em "O Cangaço na Literatura" Por:Roberio Santos


Mais uma vez o pesquisador Robério Santos nos traz "O Cangaço na Literatura" desta vez, direto da emblemática Frei Paulo o "Gorila de Chorrochó": Zé Baiano; um dos cangaceiros mais afamados, temidos e perversos que deixou sua marca no cangaço com um dos crimes passionais mais terríveis que já aconteceu. Vale a pena conhecer !
FONTE: Youtube

Virgulino Lampião sob as Lentes de Aderbal Nogueira


Aderbal Nogueira; um homem com um senso de determinação impressionante, um profissional extremamente talentoso e ético que empresta o que tem de melhor ao que faz,e faz bem, muito bem. O cangaço é uma de suas grandes paixões, anos e anos foram dedicados percorrendo as veredas deste sertão apaixonante em busca dos fragmentos da verdade histórica. 

Sócio da SBEC, um dos fundadores do GECC e do Cariri Cangaço, está a frente da Laser Vídeo, uma das mais respeitadas empresas de documentários de nosso país. Hoje nos unimos ao Brasil de Alma Nordestina para dizer ao nosso irmão Aderbal: Vamu lá cabra, conte conosco e que venha "Lampião do Inicio ao Fim"

Aderbal Nogueira e Manoel Severo

"Lampião do Inicio ao Fim" nos traz uma história de vida, sofrimento e guerra no sertão. Os caminhos de Lampião como nunca foi mostrado é o mais novo projeto de Aderbal Nogueira, uma minissérie documental em cinco capítulos que irá mostrar todo o caminho traçado por Virgulino Ferreira, vulgo Lampião, desde seu nascimento até sua morte na Grota do Angico. "Mostraremos os lugares onde ocorreram as maiores batalhas, as grandes invasões de vilas e cidades, a ligação com os coronéis, com Padre Cícero e a intrincada rede de relacionamento de Lampião com seus aliados." Reforça a apresentação do Projeto.

Com a palavra Aderbal Nogueira: "A série será pautada em depoimentos dos maiores pesquisadores da historiografia do cangaço e tendo como pontos de costura o maior acervo em vídeo gravado ao longo de 30 anos com remanescentes da época do cangaço como ex-cangaceiros, ex-volantes, ex-coiteiros e testemunhas oculares de suas ações.Todo esse material foi gravado com recursos próprios até hoje. Esse rico acervo vai ajudar a uma melhor compreensão dessa que, sem dúvidas, é uma das maiores sagas do povo nordestino.
 Aderbal Nogueira, Manoel Severo e Sérgio Dantas
Aderbal Nogueira entre o casal "Candeeiro", seu Né.
Não iremos julgar Lampião, iremos contar os fatos como aconteceram e mostrar em ordem cronológica a sua trajetória. Serão centenas e centenas de quilômetros que nossa equipe irá percorrer pelo sertão que Lampião pisou em quase todo o nordeste. Um trabalho gigantesco para podermos captar em imagens inéditas e de arquivo esse enorme ecossistema. Captação de imagens aéreas com drone, mostrando a região e fazendo o espectador ter uma ideia da geografia do lugar, pois em alguns locais a vegetação ainda é a mesma da época, em outros mudou, mas o relevo original permanece quase inalterado. Essas imagens aliadas a mapas e animações darão uma visão aproximada de como se desenrolaram os fatos e de como era difícil a locomoção das tropas e dos cangaceiros. Câmeras com estabilizadores de imagem mostrarão, de forma bem real, a visão que os ‘cabras’ tinham dentro das matas e a dificuldade de locomoção.

Qual o legado dessa minissérie? Deixar para as futuras gerações o registro em vídeo dessa importante parte da história, pois segundo Heródoto, é preciso pensar o passado para compreender o presente e idealizar o futuro. Prepare-se para adentrar em uma história única em todo o mundo e, parafraseando Winston Churchill, uma história de sangue, suor e lágrimas. A minissérie também será transformada em um documentário longa para exibição em festivais e eventos relacionados ao tema cangaço."
Kiko Monteiro, Aderbal Nogueira e Ivanildo Silveira
Dessa forma o "Benjamim do seculo XXI", Aderbal Nogueira convida a todos nós para fazer parte desse grande empreendimento. Para saber como colaborar de forma responsável e entender como tudo será feito, visite a página do CATARSE no link abaixo e vamos juntos construir mais esta página preciosa da historiografia do cangaço.
https://www.catarse.me/lampiaodoinicioaofim


Lampião do Inicio ao Fim, 
de Aderbal Nogueira
o Cariri Cangaço Apoia.


Manoel Severo
Curador do Cariri Cangaço

Mossoró se Prepara para o Marco dos 80 Anos da Invasão de Lampião

Arte de Isaura Amélia

Um dos episódios mais emblemáticos de toda a historiografia do Cangaço, sem dúvidas foi a malograda invasão do bando de Lampião à cidade de Mossoró em junho de 1927. Mossoró se prepara, tendo a frente a SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, o Governo do Estado do Rio Grande do Norte, a Prefeitura Municipal de Mossoró, a Câmara Municipal, a Fundação José Augusto, a UERN e o ICOP, dentre outras instituições para a partir de um conjunto de eventos, lembrar a data em que o rei dos cangaceiros pisou o solo da capital do oeste potiguar.


A agenda de eventos terá seu início com a programação da SBEC: O Juri Simulado do cangaceiro Jararaca, que acontece nesta próxima sexta-feira, dia 09 de junho no Salão do Juri do Fórum de Mossoró, a partir das 9 horas da manhã, tendo prosseguimento na próxima segunda-feira, dia 12 de junho, com Sessão Magna na Câmara Municipal de Mossoró em alusão a data, com debates e entrega de comendas à personalidades mossoroenses.


Ainda dentro dos eventos comemorativos teremos a palestra do Cineasta Silvio Coutinho e apresentação do Making-off do festejado documentário "Chapéu Estrelado", na terça-feira, dia 13 de junho às 17 horas no Fórum das Artes, vizinho ao Memorial da Resistência.


É importante ressaltar que no dia 15 de junho, quinta-feira as 18:30h o Fórum das Artes apresenta o II Salão Dorian Gray, dentro do "Celebrando Mossoró nos 90 anos de resistência aos cangaceiros de Lampião", uma promoção do Governo do estado do Rio Grande do Norte, do Tribunal de Justiça, da UERN, da Prefeitura de Mossoró, Câmara Municipal e Sociedade Amigos da Pinacoteca. 


Todos a Mossoró !

Aboio Poesia Improviso Cantoria ...Origens Por:João Monteiro Neto


Há muito tempo que me indagava acerca das origens de várias das manifestações culturais do Sertão nordestino, sem respostas. A cultura popular continua viva mas era silente quanto a muitas de suas origens. O caboclo orgulhoso não sabia responder-me a questão e a literatura era escassa e incompleta. Faltava o principal, o DNA e os registros de nascimento de muitas delas. Após ler Os Sertões de Euclides da Cunha, ainda mais aguçada ficou a vontade de saber e me pus na estrada por longos e saborosos 40 anos de pesquisas pela África, Europa, Ásia e semiárido brasileiro. O livro está finalizado depois de muito caminhar pelo Ocidente e Oriente, numa ida e vinda prazerosa, em parceria com o uniforme impulso de um pêndulo de relógio à busca do conhecimento.

A contribuição hindu à formação do canto do aboio, repente, improviso, poesia e cantoria, foi grandiosa e repassada oralmente às gerações, encontrando-se documentada há 5244 anos. O permanente contato do judaísmo, cristianismo e islamismo com o hinduísmo é do conhecimento da ciência. São culturas fortes que aglutinadas ou isoladas, em momentos específicos da história, expandiram-se pelo mundo através da Ásia Menor, atravessando a Turquia. Bizâncio (depois denominada Constantinopla e Istambul), era a capital do Império Romano do Oriente e interligava a Ásia e a Europa, passagem obrigatória para todas essas informações culturais, devido ao permanente intercâmbio comercial entre Oriente e Ocidente. A região era centro de excelência, produtora de conhecimentos diversos. Cultura, pensamento, usos e costumes como instrução e religião, transitavam por essa metrópole multicultural com efervescência.

João Monteiro Neto ao lado de cantadores

Há milhares de anos pastoreava-se na Índia ao som de flautas do Deus Krisnha. A bagagem do conhecimento hindu é suporte e destaque no início da formação de várias de nossas vivências, usos e costumes. A arte do improviso, da poesia e cantoria, como da memorização de versos já era praticada nas escolas, templos, mosteiros e residências hindus em tempos imemoriais e transmitidas oralmente às crianças. O elemento português foi quem transportou esse valioso patrimônio cultural para o Brasil.

Dia 20 de Julho de 2017, quinta-feira, as 20 horas, Grande Lançamento de "Aboio Poesia Improviso Cantoria...Origens" dentro da noite de abertura do Cariri Cangaço Exu. Sem dúvidas podemos conferir essa obra, na noite de autógrafos a se realizar. Uma importante lacuna de nossas tradições que agora se supre, antes então vazia.

João Monteiro Neto
Pesquisador e Escritor
Recife-PE
Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br


Existiram Quantos Lampião ? Por:Rangel Alves da Costa

Lampião por Eduardo Lima

Existiram quantos Lampião? Sim, aquele mesmo nascido Virgulino Ferreira da Silva, quantos existiram? Ora, ante o emaranhado que se tornou a história do cangaço, perante os labirintos que a todo dia colocam a saga dos homens das caatingas, há de se perguntar quantos Lampiões existiram. Diante das histórias e mais histórias, ante as lendas e os mitos que se propagam a seu respeito, diante das inúmeras versões para os mesmos fatos, não há como não perguntar quantos Lampião existiram.

As datas sobre alguns eventos de sua vida são tão discordantes que até parecem se tratar de pessoas diferentes. Igualmente com relação à sua infância, ao seu batismo, à sua criação. Para muitos até Lampião já nasceu cangaceiro.


Vários, muitas pessoas, num só ser humano. Assim com Virgulino Ferreira da Silva, mas principalmente com Lampião. O herói, o bandido, o religioso, o facínora, o covarde, o estrategista, o líder, o dominado, o carrasco, o comedido, tudo isso numa só pessoa. 

Tudo isso numa só pessoa, num só Lampião, por que é assim que sua imagem é propagada, segundo a intuição da pessoa que de um modo ou outro o concebe. O mais espantoso é que dificilmente Lampião é visto a partir dele mesmo.
Comumente, a história trata o homem pela sua saga e não pela sua sina. Desse modo, Lampião é quase sempre estudado e definido como o cangaceiro. Apenas. Lampião cangaceiro, líder de bando, carrasco, a frieza peçonhenta das matas.

Rangel Alves da Costa e Manoel Severo

Mas também como o injustiçado, como o ferido desde o seio familiar, como o odioso levado pela vingança. Ainda neste sentido, o homem já gestado em meio à violência e, portanto, o cabra marcado a se eximir de si mesmo para conviver com outra realidade.


Daí uma indagação: Quantos pesquisadores, estudiosos do cangaço e pesquisadores, já se voltaram mais para Virgulino, o homem, e não priorizaram tanto Lampião, o cangaceiro? A verdade é que a história do mito de vez em quando se esquece da origem. 

E assim por que além do Lampião em si, o cangaceiro das caatingas, existia um homem chamado Virgulino Ferreira da Silva. E somente se conhecendo a história do homem é que se pode chegar ao desvendamento daquilo que o destino lhe reservou.


A construção da história do homem através da história do mito, invariavelmente provoca a construção de identidades diferentes, contraditórias, até que se negam a si mesmas. Uma hora Lampião é o devoto e temeroso dos castigos de Deus, outra hora é o que observa passivamente crianças sendo lançadas ao alto para serem apanhadas pela ponta do punhal.

Lampião, 1º á direita, em foto de 1926 em Juazeiro do Norte

Nada de exagero. É assim que dizem, seja mentiroso ou não. O Lampião devoto de Padre Cícero e de Nossa Senhora, mas ao mesmo tempo aquele que consentiu com as maldades de Zé Baiano, o carrasco ferrador. 

Então, quantos Lampião existiram? Há o Lampião que foi morto na chacina do Angico, há o Lampião que foi envenenado, há o Lampião que sequer estava no coito sangrento naquele alvorecer sertanejo, há o Lampião que fugiu, há o Lampião que morreu já centenário lá pelas Minas Gerais. Então: quantos Lampião existiram?


Dizem até que Lampião foi comunista. Dizem e tentam provar. E também aquele Lampião “amulezado”, segundo a insanidade de alguns. Contudo, o mais difícil mesmo parece mesmo é conhecer aquele Virgulino antes de se tornar Lampião.


Afirmar simplesmente de seu banditismo é prova maior do total desconhecimento de sua história, principalmente familiar. Afirmar de seu heroísmo é igualmente desconhecer das maldades consentidas e pactuadas enquanto líder maior de seu bando. 

Então, quantos Lampião existiram? Tal resposta certamente jamais será obtida. Prova maior é que todo dia surge um novo livro contando a história de um Lampião diferente.


Rangel Alves da Costa, Pesquisador, escritor, poeta 
Poço Redondo, Sergipe
blograngel-sertao.blogspot.com

Simplesmente Cecília ! Por:Manoel Severo

Cecília do Acordeon

A tardinha se aproximava e os últimos raios do sol teimavam em persistir refletindo na estrada que tomamos para conhecer uma personagem simplesmente sensacional... Era sábado, dia 27; Fortaleza havia amanhecido com um dia claro, mas denso de nuvens de chuva,um dia como dizemos por esses lados do Brasil: "Um dia lindo". Nosso destino, o município de Redenção, a cerca de 55 km da capital do Ceará; ali, no distrito de Antonio Diogo deveríamos procurar uma localidade chamada "Currais 2"...

Como todo bom rastejador das caatingas, no primeiro posto de gasolina em Antonio Diogo fomos logo perguntando:"Como chego em Currais 2?" o moço alertou: "Olhem vocês podem ir pela estrada nova, mas vai ser difícil de encontrar pois são várias veredas sem placa, é melhor ir aqui por dentro,etc etc etc..." Saímos do posto seguimos caminho como ele havia nos orientado e perguntamos mais umas... 6 vezes, por entre veredas e pequenas vilas para chegar enfim ao nosso destino, ali já perto das 18 horas...Mas valeu a pena e como valeu...


Ingrid Rebouças, Cecília e Manoel Severo

O local, um pequeno vilarejo tipicamente do sertão, chegamos a casa e de lá saiu uma simpática e jovem senhora; dona Neide; que já nos esperava e foi logo gritando: "menino chama ali a Cecília!!!" E de repente chega nossa principal anfitriã, a pequena Cecília Araujo Costa, de nove anos de idade, uma menina mais que linda e pra lá de especial, ou simplesmente: Cecília do Acordeon !

Cecilia  , uma pequena sanfoneira mirim que desde os seus sete anos de idade vem encantando a todos que encontra, não só por seu talento maravilhoso com sua "vermelhinha"; que é como chama sua querida sanfona; mas e principalmente por sua doçura e seu coração verdadeiramente preciosos, que logo no primeiro contato e no primeiro sorriso fica fácil de perceber...


Cecília do Acordeon:Talento nato que nasce de um belo coração...

"Tudo começou com meu avô, que é Mestre de Reisado, então eu ia acompanhar e ficava encantada daí vi seu Cícero, um sanfoneiro tocando, logo quis uma sanfona e vivia pedindo a meu pai, mas ele não tinha dinheiro... Um dia fomos a cidade de Canindé e aí a danada da sanfona parecia que estava me perseguindo... novamente meu pai não tinha como comprar, chorei o tempo todo...  pouco tempo depois meus pais conseguiram comprar minha primeira sanfona, nunca senti tanta alegria" Confessa a tímida menina Cecília.

Nos abraçamos, nos abancamos e aí a tímida menina saiu de cena e de forma simplesmente fantástica entrou em ação a "pimentinha do forró", não sabíamos se olhávamos o talento de Cecília ou os olhos brilhando, quase saltando da face, de sua mãezinha, a dona Neide, realmente um espetáculo emocionante. A primeira música ela fez questão de dizer:"Essa a musica que conta a minha historia..." Uma melodia forte e cheia de significado invadia a sala e mais que isso, invadia nossos corações... bacana demais...

Ingrid Rebouças, Dona Neide, Cecília e Manoel Severo
Cecília do Acordeon e Ingrid Rebouças

Por falar em bacana, o que mais me encantou nesta visita foi o grande sentimento de gratidão que é cultivado pela família, por varias vezes a pequena Cecília nos surpreende sempre agradecendo, isso não tem preço. Agradece aos pais, ao meu tio Silvanar, ao avô, ao seu Cícero; sanfoneiro que lhe ensinou a tocar; a toda família e aos muitos amigos de todo lugar que tem carinho por ela. "Severo semana passada o Paulo Vanderlei veio aqui com o Chambinho e hoje vocês chegam aqui na minha casa, muito obrigado, agora meu sonho é conhecer Exu a cidade do Rei do Baião" fala a pequena Cecília, que inclusive tem uma pagina muito bacana na internet só esperando a visita de todos: http://ceciliadoacordeon.blogspot.com.br/

"Cecília tem esse sonho de conhecer a cidade onde nasceu Luiz Gonzaga, mas o dinheiro que estávamos juntando para ela ir até Exu foi preciso usar numa cirurgia de urgência que ela teve que fazer a uns três meses" revela dona Neide, mãe de Cecília. Pois é Dona Neide, este Universo é mesmo pródigo, pois essa visita é justamente para convidar toda a família para estarem conosco no Cariri Cangaço Exu, no próximo mês de Julho...

E assim a maravilhosa visita me fez ganhar a tarde, o dia... o mês e a todos nós que nos encontraremos no Cariri Cangaço Exu 2017, a grande oportunidade de ganhar mais uma componente desta família que nos faz compreender que tudo vale a pena, sempre vai valer... Família Cariri Cangaço, seja bem vinda minha pequena Pimentinha do Forró !

Manoel Severo,
Curador do Cariri Cangaço
Fortaleza, Ceara
27 de Maio de 2017

Em Julho...