Academia Cearense de Letras Firma Parceria para o Cariri Cangaço Fortaleza 2018

Ângelo Osmiro, Juarez Leitão, Cristina Couto, Ubiratan Aguiar, Manoel Severo e Ernando Uchôa, na reunião de parceria da ACL com o Cariri Cangaço.

A Academia Cearense de Letras fechou a parceria com o Instituto Cariri do Brasil para a realização do grande Cariri Cangaço Fortaleza , primeiro evento da marca neste ano de 2018. O encontro que definiu a importante parceria aconteceu na tarde desta quarta-feira, dia 10 de janeiro, no gabinete da presidência da ACL, e contou com a presença de Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço, do Presidente da ACL, Ministro Ubiratan Aguiar e da acadêmica Regina Fiúza além dos Conselheiros Cariri Cangaço, Ângelo Osmiro e Cristina Couto e ainda Ingrid Rebouças.

Na oportunidade o curador do Cariri Cangaço apresentou o pré-projeto do Cariri Cangaço Fortaleza 2018, com as linhas mestras de sua realização, as principais temáticas, esboço da programação e infraestrutura pensada para o evento. "Realmente vamos realizar um grande Cariri Cangaço em Fortaleza e estaremos tendo a honra de receber em nossa casa todos os nossos amigos, vaqueiros da historia, de todo o Brasil", ressalta Ângelo Osmiro, Conselheiro do Cariri Cangaço e Presidente do Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará.

 Reunião de trabalho e apresentação na ACL do Cariri Cangaço Fortaleza

"Fortaleza se prepara para realizar um dos maiores eventos da Marca Cariri Cangaço em 2018 ! Todos podem aguardar um evento que vai marcar a historia, além de está sendo realizado pela primeira vez na casa do Cariri Cangaço, em sua principal sede que é Fortaleza, realmente será imperdível e inesquecível" ressalta a Conselheira Cariri Cangaço e Presidente da Academia Lavrense de Letras, escritora Cristina Couto.

A ideia inicial dos organizadores é realizar o Cariri Cangaço Fortaleza ainda no primeiro semestre, muito provavelmente no mês de abril, a data correta deverá ser definida até o final de janeiro, mas o formato deverá seguir ao já tradicional formato do eventos Cariri Cangaço em todo o nordeste, começando numa quinta-feira a noite e se estendendo até o domingo pela manhã. "Olhem, um evento deste porte com este grau de significação para a cultura de nosso nordeste será um verdadeiro sucesso aqui em Fortaleza e nós da Academia Cearense de Letras não podíamos ficar de fora, será uma honra para todos nós realizarmos o Cariri Cangaço Fortaleza" afirma o presidente da Academia Cearense de Letras, Ministro Ubiratan Aguiar.

 Cristina Couto, Regina Fiuza, Ubiratan Aguiar, Manoel Severo e Ângelo Osmiro
Ângelo Osmiro, Juarez Leitão, Cristina Couto, Ubiratan Aguiar, Manoel Severo, 
Ernando Uchôa, José Augusto Bezerra, Ingrid Rebouças e Regina Fiúza.
"O tema cangaço é realmente instigante e sem dúvidas teremos um debate mais que esclarecedor acerca desse mito, será um grande evento" comenta a escritora Regina Fiúza. Dentre as principais temáticas pensadas pelos organizadores do Cariri Cangaço Fortaleza estão o Messianismo e Religiosidade o Coronelismo e as Polêmicas da Patente de Capitão a Virgulino Ferreira e a Sedição de Juazeiro, dentre outros."
Para nós do Cariri Cangaço é uma enorme honra darmos o primeiro passo na construção de nosso evento em Fortaleza recebendo o aval da Academia Cearense de Letras" afirma o curador do Cariri Cangaço , Manoel Severo e conclui: "Estamos comprometidos em realizar mais um evento que preza pela qualidade e responsabilidade, a começar com a Comissão Organizadora composta por Cristina Couto, Ângelo Osmiro, Aderbal Nogueira e Ingrid Rebouças, passando pelos parceiros institucionais e governamentais, iniciativa privada, grupos de estudos, institutos culturais, universidades, enfim. Como também e principalmente, na escolha dos temas a serem debatidos em nossas conferências; todos eles "cearenses"; numa demonstração inequívoca do compromisso do Cariri Cangaço com suas origens, sem dúvidas não perdemos por esperar, ate o final do mês teremos a data e a programação para divulgação".

Pádua Lopes e Manoel Severo no Sistema Verdes Mares

Também na tarde deste mesmo dia 10 de janeiro, o curador do Cariri Cangaço esteve realizando uma visita de cortesia ao Diretor Superintendente do Diário do Nordeste - Grupo Edson Queiroz, jornalista Pádua Lopes. Na oportunidade foi apresentado o Empreendimento Cariri Cangaço e o Projeto do Cariri Cangaço Fortaleza 2018.

Cariri Cangaço
Fortaleza, 11 de Janeiro de 2018

Certidão de Batismo de Padre Cícero Por:Daniel Walker



Esta tarde eu e Renato Casimiro depois de intensa pesquisa na internet encontramos e agora compartilhamos com vocês um documento histórico que fazia tempo estávamos querendo encontrar. Trata-se do assentamento do batismo do Padre Cícero na forma como está escrito no Livro de Batismo da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de Crato. 

Ele confirma que realmente Padre Cícero nasceu mesmo foi no dia 23 de março de 1844, muito embora seu aniversário seja comemorado, desde a sua infância, no dia 24 de março. O motivo até hoje é um mistério. O assentamento diz o seguinte: “Cícero, filho legítimo de Joaquim Romão Batista Meraíba e de sua mulher Joaquina Ferreira Castão. Nasceu em vinte e três de março de 1844 e foi batizado pelo pároco solenemente com santos óleos nesta cidade do Crato em oito de abril do mesmo ano. Foram seus padrinhos o avô paterno Romão José Batista e Antônia Maria de Jesus, do que para constar mandei fazer este assento em que me assino. Manuel Joaquim Aires do Nascimento. Livro de Batizados, Crato, 1843 a 1845, fl. 61. Encontramos o documento no site: https://www.familysearch.org

Esse site é muito bom para se pesquisar nascimento, casamento e óbito. Agora vamos tentar encontrar o assentamento da beata Maria de Araújo.

Daniel Walker, pesquisador e escritor
Juazeiro do Norte.Ce
09 de Janeiro de 2018

Os Novos Guerreiros da Caatinga Por:Roberio Santos


Quando a palavra “cangaço” aparece em algum estudo, artigo ou debate oral a primeira visão que a maioria dos pesquisadores e curiosos tem é o nordeste. Também se associam a homens adornados em couro e muito sangue nas mãos. Não vou me prender à história do cangaceirismo, aquela coisa demorada que vem desde quando os diversos povos, principalmente os europeus, chegaram no Brasil. O cangaço “rotulado e carimbado” se desenvolveu com mais força no Nordeste, região do país já povoada e pobre, pois a região norte o que ganhava em pobreza perdia em moradores, na sua maioria, índios e imigrantes de outros estados da nação. O centro-oeste era um grande vazio, o sudeste desenvolvido e fértil e a região sul com sua mania de querer ser uma verdadeira “cidade-estado” e conseguir sua independência. Sobrava então a luta de classe para o nordeste, terra fértil para o messianismo, latifundiários, pouca escolaridade, politicalha, escravidão, supremacia dos ricos e a cultura da violência.

Quando Lampião no final da década de 10 começou a apontar como cangaceiro, o banditismo já era notícia antiga e ele entra como um grande administrador do movimento. Virgulino funcionou como um eficaz Katamari que ia agregando dinheiro, homens, mulheres, histórias e fotografias por onde passava. Mas, de onde vinham estes cangaceiros que passaram pouco ou muito tempo no bando mais afamado dos sertões? 


Tomemos como base Volta Seca. Menino do Saco Torto em Riachuelo-SE, se desentende com a madrasta, foge de casa e acompanha de forma sutil o bando no início de 1929. Crime algum havia cometido. A curiosidade foi maior que a necessidade naquele instante, ao contrário de Zé Sereno, que corrido de uma briga na região de Chorrochó, entra para o bando em 1930 com a benção de seu primo Zé Baiano. Vários motivos levaram homens simples a ingressar no cangaço, o mais comum deles era a “salvaguardo” e proteção que o bando proporcionava perante a sociedade, que, esta pensava duas vezes antes de atacar um cangaceiro. Eles se sentiam muitas vezes deuses e impunes. O medo se instalava também dentro do bando, a exemplo de cangaceiros que fugiram para não serem mortos, aqueles que foram baleados e sobreviveram, como também os que foram presos. Claro, falo dos que ficaram vivos, sem focar nos que além de receberem tiros, também tiveram suas cabeças decepadas e seus pertences roubados. 

O cangaço virou instituição, só faltava CNPJ para ser uma empresa legalizada. Vários bandos atrelados ao chefe Lampião foram formados e estes foram agregando mais membros e muitas mulheres. Volto a dizer: onde estes ingredientes eram apanhados? Aqui, ali, acolá... não faltavam homens para o serviço. Havia paralelamente outra classe de “homens em armas” que poer diversas vezes combateram os cangaceiros como “contratados” do Governo, eram os pistoleiros e jagunços. Estes viviam muitas vezes como “leões de chácara”, acompanhando e protegendo o Coronel da região ou praticando crimes encomendados, sendo estes mais independentes, tendo até muitas vezes seu pequeno pedaço de terra ou morando na capital. Não temos registros de Pistoleiros que viraram cangaceiros, mas alguns cangaceiros após largarem o cangaço receberam convites para entrar na pistolagem, dada a familiaridade desses indivíduos com armamento e as dificuldades encontradas no sertão. 


O Estado Novo chega, com ele o progresso dirigido pelo Getúlio Vargas que queria um país destinado ao povo. Para isso ele teria que limpar a mancha que se instalava há séculos no nordeste. Quem mais aparecia na mídia? Cangaceiros, claro, com milhares de notas, centenas de fotografias, cordéis, livros, filmes, histórias cabulosas que muitas vezes eram confundidas com as da polícia e tantos outros detalhes que só tornavam os cangaceiros mais afamados, aqui no Brasil e também no exterior, chegando a estampar manchetes nos jornais de maior circulação dos EUA e na Europa. O declínio do cangaço começa a chegar quando as estradas de rodagem são abertas, o ensino de qualidade começa a ser incluído nas localidades, novos empregos, os aviões começam a patrulhar terrenos maiores e cada cidade tinha por obrigação um quartel de polícia prontos para a guerra. O cerco estava se fechando e um grupo estava se beneficiando disso: os jagunços.

A jagunçada estava livre, protegida muitas vezes até por juízes e políticos. Cometiam crimes bárbaros e a mídia nem ao menos comentava e quando citavam, na verdade, focavam no crime e não nos autores. Cangaceiro não, se um destes dava um tapa em alguém virava capa de O Globo; se tirava a barba, de igual importância, até o barbeiro era entrevistado. O jagunço matava sem pena, defendia seu patrão e dizimava muitas vezes famílias inteiras. 



Chega 1938 e Lampião é morto, o cangaço foi abalado. Os grupos ficaram com medo, muitos se entregaram, outros desapareceram no oco do mundo e alguns foram mortos. O túmulo havia sido aberto. Em 1940 Ângelo Roque se entrega e Corisco é assassinado, a lápide foi colocada no que entendemos como “cangaço lampiônico”. Mas, como sabemos, dias antes da morte de Lampião, um parente de Maria Bonita havia se integrado ao grupo e outro de nome Luiz de Thereza vindo de Itabaiana-SE ou São Paulo (Frei Paulo-SE) estavam de calouros no bando, então, qual sua formação para que fossem levados a tal ponto? Agora, vem a pergunta: 

"O que aconteceu com os indivíduos propensos a entrar no cangaço depois da morte de Lampião e seu compadre Corisco? Apenas desistiram ou mudaram seu foco? O que aconteceu com outros bandos de cangaceiros que não tinham vínculo com Lampião? Apenas se desarmaram e foram tocar suas vidas? "

Dezenas de relatos pós-Lampião de grupos armados saqueando diversas regiões do Nordeste e o sul da Bahia foram noticiados de forma sutil e até mesmo abafados pela censura do governo Vargas, eles não queriam mostrar ao grande público que haviam deixado vestígios do Cangaço. Os Coronéis, muitas vezes mais perversos que os cangaceiros e também responsáveis pelo armamento destes saíram impunes da questão, até mesmo mais ricos, como os que ficaram com os pertences de Zé Baiano e a solda da dívida com este. Os Jagunços foram protegidos, temendo apenas seus rivais de outras famílias inimigas e também outros pistoleiros que poderiam deixar de ser amigos e passar a ser executor, tudo pelo dinheiro. 

Nas décadas de 50 e 60 grupos invadiam cidades pequenas, saqueavam e matavam pessoas inocentes. Será que se Lampião e Corisco não tivessem morrido, estes indivíduos, a exemplo das famílias Novais e Ferraz na região do Pajeú teriam se tornado Cangaceiros propriamente ditos? Mas, se eles seguiam a mesma cartilha de antes, por que não chamá-los de “Cangaceiros” como eram taxados antes de 1940? Qual o medo que se instala na história em reviver fatos que já foram lapidados e muitas vezes aparecem ainda em seu estado bruto? Nem tenho como responder estas perguntas sem causar um Tsunami em meio aos que se encontram em suas zonas de conforto, mas de uma coisa tenho certeza, os Jagunços e Pistoleiros estão aí, ainda presentes no dia a dia desta sociedade que se diz moderna, praticando os mesmos crimes ou até piores que os dos cangaceiros, mas, talvez seja que para ser cangaceiro teriam que vestir com chapéu de couro de veado com a aba virada; punhal; perneiras e um óculos redondo como o estereótipo que agrada aos especialistas, deste misto de herói e bandido que divide opiniões há quase 100 anos. De uma coisa tenho certeza, nem Lampião imaginava que seria tão estudado.


Robério Santos
Membro da Academia Itabaianense de Letras
27 de novembro de 2017

As Verdades de Guaribas


No final de 2017, nos reunimos para realizar o resgate de uma história que sempre nos chamou à atenção: o Fogo das Guaribas. A reconstrução desse faroeste sertanejo tem rendido algumas páginas, de um conto ou uma novela, a ser finalizado neste ano de 2018. Unindo história à literatura, tivemos a oportunidade de dar densidade psicológica à trama, permeada de valentia, autoritarismo, suspense, amor, traição e também sobre a violência praticada pelos Poderes Públicos Constituídos sob o pretexto de se fazer justiça contra Lampião e seu bando de sanguinários cangaceiros. 
Não existe uma única verdade sobre o Fogo das Guaribas; existem, sim, intenções dela. Há muitas lacunas na oralidade e na história escrita sobre quem foi realmente Chico Chicote. Esse “folhetim”, à luz do que ouvimos de familiares e da bibliografia existente, é um desses olhares sobre o curioso episódio.

Bruno Yacub
Brejo Santo, Ceará

Penafiel, Por Terras do Patriarca Manoel Lopes Diniz Por:Valdir Nogueira

Desde os primeiros anos da colonização até à época da independência, colonizadores portugueses migraram para o Brasil e, desse modo, ajudaram a afirmar o controle da coroa sobre a nova terra. Eles constituíram o mais numeroso, consistente e duradouro grupo de imigrantes livres que o Brasil recebeu. O constante fluxo de imigrantes portugueses para o Brasil e a importância desse fenômeno para o desenvolvimento do país modelou a nação brasileira de um modo diferente de qualquer outro grupo. Em meados do século XVIII, partiu da região do Conselho de Penafiel, cidade e Bispado do Porto, no norte de Portugal, em direção ao Brasil, Manoel Lopes Diniz, filho de Bento Lopes e Águeda Maria Diniz.
 Beleza arquitetônica de suas igrejas...

Em 15 de janeiro de 1756, na época do ciclo da pecuária, Manoel Lopes Diniz arrendou do morgado da Casa da Torre a Fazenda Panela D’Água, hoje situada no município de Carnaubeira da Penha. No ano de 1791, Manoel Lopes Diniz fez o seu testamento na Fazenda Panela D´água, vindo a falecer no ano de 1796, no mesmo local. Seu corpo foi amortalhado em hábito de São Francisco de Assis e sepultado no corpo da Capela do Senhor Bom Jesus dos Aflitos da Fazenda Grande na qual ajudou a construir e que deu origem à cidade de Floresta.Responsável por uma grande descendência no sertão de Pernambuco, foi casado com Maria de Barros da Silveira e tiveram 11 filhos, um faleceu logo pequeno e os outros dez são:

1. Coronel Manoel Lopes Diniz (Filho), casou com Ana Torres e em segundas núpcias com sua prima Ana Tereza da Silva. Foi proprietário da Fazenda Brejo do Gama. Esta localizado nessa região o distrito de Tupanaci, as margens do Rio Pajeú.
2. Capitão Vitorino Pinto da Silva, casou com Sebastiana Ramalho. Seu filho, o Tenente Coronel José Vitorino de Barros e Silva, era proprietário da Fazenda Bezerros que deu origem ao município de Verdejante.
3. Capitão Gonçalo Pinto da Silva adquiriu uma parte da Fazenda Grande que deu origem ao município de Floresta. Foi casado com Claudiana Maria do Espírito Santo filha do fundador da cidade de Curaçá e descendente de Diogo Álvares Correia e Catarina Paraguaçu.
4. Capitão José Lopes Diniz, casou com Josefa Gonçalves Torres. Residiam na Fazenda Panela D´Água, hoje no município de Carnaubeira da Penha.
5. Rosa Maria do Nascimento, casou com o Capitão Comandante Francisco Gomes de Sá, um dos donos das terras banhadas pelo Riacho dos Mandantes (comandantes), hoje divisa entre os municípios de Floresta e Petrolândia.
Santo André de Marecos, vilarejo de Penafiel, 
local do nascimento de Manoel Lopes Diniz.
6. Inácia Maria da Conceição, casou com o português Manoel de Carvalho Alves. Foram proprietários da Fazenda Canabrava que deu origem ao município de Belém do São Francisco. Seu neto, o Coronel Manuel de Sá Araújo, foi o responsável pelo surgimento de Salgueiro.
7. Maria da Silva Barros, casou com o Capitão Francisco Barbosa Nogueira, proprietário da Fazenda Escadinha em Serra Talhada, sendo um dos primeiros colonizadores da região ao lado de José Carlos Rodrigues e Agostinho Nunes de Magalhães.
8. Maria Águeda Diniz, casou com o português Manoel Gomes dos Santos. Eram proprietários da FAZENDA INVEJA, local do inicio do município de SÃO JOSÉ DO BELMONTE.
9. Ana Maria da Silva (solteira).
10. Clara Lina da Silva (solteira).

Valdir José Nogueira
Pesquisador e Escritor
29/11/17 - São José de Belmonte, PE

Os Desafios de um Novo Conselho

Conselho Alcino Alves Costa 2018

Por ocasião da última edição do Cariri Cangaço Floresta 2017 mais precisamente no dia 13 de outubro, sábado, foram empossados mais seis novos conselheiros para o Conselho Consultivo do Cariri Cangaço que tem como patrono o pesquisador e escritor sergipano de Poço Redondo, Alcino Alves Costa. Com a posse dos novos conselheiros a nova composição passa a contar com 34 componentes.

Naquela noite a Câmara Municipal de Floresta testemunhou a posse dos novos conselheiros, sendo os pesquisadores pernambucanos; Junior Almeida da cidade de Capoeiras e Louro Teles de Calumbi. Da Paraíba o produtor cultural, Emmanuel Arruda, de Minas Gerais a filha dos ex-cangaceiros Moreno e Durvinha, Neli Conceição e de Sergipe a pesquisadora Elane Marques de Aracaju e Rangel Alves da Costa de Poço Redondo, filho do patrono e primeiro Conselheiro, Alcino Alves Costa.


O Instituto Cariri do Brasil é uma instituição privada sem fins lucrativos, de personalidade jurídica com sede e foro na cidade de Fortaleza no estado do Ceará. Possui uma Diretoria Executiva, um Conselho Fiscal e de acordo com seus estatutos criou um Conselho Consultivo com a possibilidade de até 50 componentes, definidos estatutariamente através de voto direto e secreto pelos atuais conselheiros ou indicados pela Diretoria Executiva. Os membros do Conselho Consultivo do Cariri Cangaço que tem como patrono o escritor Alcino Alves Costa, pioneiro do referido Conselho, de acordo com os Estatutos do Instituto Cariri do Brasil serão definidos como segue: 



"O Conselho Consultivo ora criado deverá ser formado por até 50 membros, eleitos por votação direta e secreta pelos membros já efetivos do Conselho, em qualquer época definida pela Diretoria Executiva ou ainda indicados por essa mesma Diretoria Executiva; conforme esse estatuto. Os referidos candidatos devem ser personalidades reconhecidamente afinadas com os objetivos comuns desse INSTITUTO CARIRI DO BRASIL, devem ter profunda identificação com as ações e os conceitos que norteiam o desenvolvimento desse Instituto e serem instrumentos de propagação responsável da memoria, historia, cultura e tradição nordestinas"
Transcrição de parte dos Estatutos do Instituto Cariri do Brasil reformado através de Ata em 02 de março do ano de 2013

A nova composição do Conselho Consultivo Alcino Alves Costa, do Cariri Cangaço tem representações de oito dos nove estados do nordeste além de Minas Gerais, sendo: Piauí com um integrante, Dr Leandro Cardoso, o estado do Ceará com oito componentes; Ângelo Osmiro, Aderbal Nogueira, Juliana Pereira, Cristina Couto, José Cícero Silva, Sousa Neto,
Bosco Andre e Napoleão Tavares Neves.

O Rio Grande do Norte com tres representantes; Honório de Medeiros, Ivanildo Silveira e Múcio Procópio; a Paraíba ampliou para seis  componentes; Narciso Dias ,Jorge Remígio, Wescley Rodrigues, Professor Pereira, Emmanuel Arruda e Kydelmir Dantas. Pernambuco passa a ter seis membros; Geraldo Ferraz, Antônio Vilela, Ana Lucia Souza, Manoel Serafim, Louro Teles e Júnior Almeida. Alagoas vem com dois componentes; Celsinho Rodrigues e Edvaldo Feitosa. 

Sergipe compõe com cinco membros; Archimedes Marques, Kiko Monteiro, Raul Meneleu, Elane Marques e Rangel Alves da Costa. A Bahia tem dois membros, João de Sousa Lima e Luiz Ruben, e Neli Conceição de Minas Gerais conclui o rol de personalidades do universo do estudo e pesquisa de temas nordestinos que compõem o Conselho do Cariri Cangaço.

Conheça o Conselho Consultivo Alcino Alves Costa do Cariri Cangaço:

Leandro Cardoso, Teresina PI 
Napoleão Tavares Neves, Barbalha CE
Juliana Pereira, Quixadá CE
Sousa Neto, Barro CE 
Ângelo Osmiro, Fortaleza CE
Aderbal Nogueira, Fortaleza CE 
José Cícero Silva, Aurora CE 
Cristina Couto, Lavras da Mangabeira CE 
Bosco André, Missão Velha CE 
Ivanildo Silveira, Natal RN 
Honório de Medeiros, Natal RN 
Múcio Procópio, Natal RN 
Narciso Dias, João Pessoa PB 
Jorge Remígio, João Pessoa PB
Wescley Rodrigues, Sousa PB
Kydelmir Dantas , Nova Floresta PB
Professor Pereira, Cajazeiras PB
Emmanuel Arruda, João Pessoa PB 
Geraldo Ferraz, Recife PE
Antônio Vilela, Garanhuns PE
Ana Lúcia Granja, Petrolina PE 
Junior Almeida, Capoeiras PE 
Manoel Serafim, Floresta PE 
Louro Teles, Calumbi PE 
Edvaldo Feitosa, Água Branca AL 
Celsinho Rodrigues, Piranhas AL  
Kiko Monteiro, Lagarto SE
Archimedes Marques, Aracaju SE
Raul Meneleu Mascarenhas, Aracaju SE 
Rangel Alves da Costa, Poço Redondo SE 
Elane Marques, Aracaju SE
João de Sousa Lima, Paulo Afonso BA
Luiz Ruben, Paulo Afonso BA
Neli Conceição, Belo Horizonte MG  

Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço comenta: "Nosso empreendimento ganhou uma dimensão muito bacana, hoje estamos presentes em 18 municípios de 5 estados e neste ano de 2018 estaremos  possivelmente inaugurando de 2 a 3 novas sedes sem contar com nossa chegada às capitais e o ousado projeto de Portugal, dessa forma, acho que em 2013 quando mudamos os estatutos do Instituto Cariri do Brasil já estávamos presumindo algo assim. Esse novo formato de nosso Conselho Consultivo poderá contar com até 50 membros, hoje estamos com 34 componentes, isso só fortalece o trabalho em equipe e o inegável reconhecimento a esses homens e mulheres que são os grandes responsáveis por tudo isso."

Conselho Consultivo Alcino Alves Costa
Cariri Cangaço em Janeiro de 2018

O Fogo do Coité Por:Geziel Moura

Igreja do Coité e Padre Lacerda

A história do cangaço é muito fascinante, e nem sempre cangaceiros, volantes e civis, que foram às armas. Em janeiro de 1922, quem pegou nelas foi o representante da igreja, o Padre Lacerda. Esse acontecimento se deu, na época que Lampião e seus irmãos, eram simples cabras de Sinhô Pereira, e atuavam na região do Cariri Cearense, a história é mais ou menos assim:
Após a morte do Coronel Domingos Leite Furtado, poderoso chefe político em Milagres (CE), no ano de 1918, o seu braço armado, o Major José Inácio de Sousa, fazendeiro abastado no município do Barro (CE), conhecido como Zé Inácio do Barro, passou a assediar a família do falecido, reclamando que o Coronel Domingos Furtado devia certa quantia a ele, por serviços prestados, o que produziu inimizades entre as família Furtado e Zé Inácio do Barro.
Major Zé Inácio do Barro
Antonio Vilela, Sousa Neto, Dr Leandro Cardoso, Jorge Remígio, Manoel Severo e Ivanildo Silveira na visita do Cariri Cangaço a 
Fazenda Nazaré do cel. Domingos Leite Furtado

Cabe, neste momento, uma explicação: Zé Inácio era conhecido protetor de cangaceiros, assim como outros coronéis no Cariri cearense, inclusive, Sinhô Pereira e seu bando, estavam na folha de pagamento daquele Major, tendo, ainda, seu filho, Tiburtino Inácio de Souza, vulgo Gavião, no bando de Pereira, isto denuncia, que nem sempre a constituição de um cangaceiro, era por conta da pobreza.
Hilário Lucetti e Magérbio de Lucena nos conta, em sua obra "Lampião e o Estado Maior do Cangaço", que o Sítio Nazaré, da viúva do Coronel, D. Praxedes de Lacerda foi assaltado, em Janeiro de 1919, por grupo de cangaceiros, comandado por Gavião, filho do Major Zé Inácio do Barro.
Assim, após ser denunciado como mandante do assalto, Zé Inácio, não esconde o feito, mas diz que aquele dinheiro era dele, por anos de serviços prestados ao Coronel Domingos Furtado, e ainda o chamou de ladrão, pronto estava aberta a questão entre as famílias, principalmente na figura do Padre José Furtado de Lacerda, ou simplesmente, o Padre Lacerda, pároco da Vila de Coité, pertencente ao município de Mauriti (CE).


 Caravana Cariri Cangaço e a visita ao Coité de Padre Lacerda em Setembro de 2013
Manoel Severo, Sousa Neto, Antônio Amaury e Dr Leandro em conferência sobre o Fogo do Coité na própria igreja local
Luitgarde Barros, Daniel Apolinário e Dr Lamartine Lima na 
Conferencia do Cariri Cangaço no Coité
Insultos vão, insultos veem, entre o Padre Lacerda e o Major Inácio do Barro e o certo é que no dia 20 de janeiro de 1922, a pequena Coité é invadida pelo grupo de Sinhô Pereira, à frente com setenta cangaceiros. Entretanto, o Padre Lacerda, não usava somente a Bíblia e terços em seus ofícios, era possuidor de rifle e um bom contingente de homens, bem armados e municiados.
Segundo, o escritor Sousa Neto, que biografou o major Zé Inácio do Barro a resistência vinha da casa do Padre Lacerda, e sustentou o fogo por seis horas, forçando uma retirada dos cangaceiro, ao chegar soldados da policia de Mauriti e Milagres.
Ainda, segundo aquele autor, o bando de Sinhô Pereira fora atacado no dia seguinte, na Fazenda Queimadas, por aquelas volantes, sendo necessário dividir o grupo em três, um grupo com Lampião, outro com Baliza e o resto com o chefe Sinhô Pereira, desta forma conseguiram furar o cerco, e seguir para o coito, no Barro. O saldo do Fogo do Coité, foram três homens do Major, e diversos cangaceiros feridos, inclusive Antônio Ferreira. Padre Lacerda não era fácil.
Geziel Moura , Pesquisador
24 de novembro de 2017

E Eu Pisei de Novo no Chão da Rua Velha Por:Manoel Belarmino

Manoel Belarmino

Foi nesta quarta feira, 20 de dezembro, que eu estive novamente pisando o chão sagrado da Rua Velha, na cidade de Serra Negra, no Município de Pedro Alexandre. Fui ao casamento de Edimar e Ana Kelly. E o casamento foi exatamente ali na Rua Velha, na Praça General Liberato de Carvalho, na Igreja Nossa Senhora da Conceição da Serra Negra.
Cheguei ali na Serra Negra cedo. Desci para a Rua Velha. Vi ali no meio da praça da Rua Velha o velho monumento de ferro do Vaporzinho. Vi que a igreja de Nossa Senhora da Conceição ainda é a mesma. Pouca mudança houve no prédio da igreja. A casa de Tia Zefa de Cândido, mãe de Marli e Badú, ainda é a mesma. A casa de Antônio Leite, ali na esquina da praça da Rua Velha, pertinho do riacho que separa a Rua Velha da Rua Nova ainda é a mesma.


Quantas lembranças tomaram conta de mim na manhã de ontem! Lembranças das serestas do Bar do Cido. O Bar do Cido já não existe mais mais, mas o prédio ainda está ali. Lembranças das festas do dia 8 de Dezembro. Lembranças da Procissão que sai da Rua Velha e sobe a Rua Nova ainda sob o sol da tarde do dia 8 de Dezembro e desce para a Rua Velha depois que o sol se despede. Lembranças das novenas de dezembro. Das zabumbas, das quermesses, do pastoril da professora Miralda e dos guerreiros.
Quantas pessoas eu vi novamente! Os mesmos rostos, a mesma gente. O povo da Serra Negra parece não envelhecer nunca. Ali é o lugar onde o tempo parou. O povo é o mesmo. A cidade é a mesma.
Lembranças das festas do Clube Vaporzinho. Lembranças do Campo O Eraldão onde eu ainda joguei futebol. Lembranças, lembranças, lembranças... Lembranças de uma Rua Velha poesia.

Manoel Belarmino
Pesquisador, Poço Redondo-Sergipe

Vida e Morte Virgulina Por:Rangel Alves da Costa


Eu me chamo Virgulino, não tenho outro nome de pia, tendo por pai um José e por mãe uma Maria. Poderia ser chamado de Virgulino de Maria, mas outro apelidado me foi dado em distante freguesia. Um filho chorando um pai, pois morto em triste dia, quando a arma do poder tirou o que dele existia, jogando à própria sorte o que da família existia, fazendo surgir o ódio e toda vingança que havia.

Mas o que mais afligia era ser acusado de crime que nem de longe eu cometia. Dizer que minha família roubava a honra toda anuvia, cria no homem um ódio que nunca se atrofia, é querer criar bandido naquele de calmaria. Quando a fama se fez grande, acusado em demasia, então o jeito foi passar a ser aquilo que eu não queria, então agi pelo erro e fiz o que não queria: fazer o que não tinha feito pra provar a valentia.Coisa triste era a fome de vingança que eu sentia, mas não tinha outro jeito a dar naquilo que eu pressentia, ou dava o troco no troco ou escolhia a covardia, como não nasci pra temer então escolhi a ousadia, em dar um troco maior naquilo que me feria.



Quando o sangue jorrou nas terras onde eu vivia, o homem se fez em galope no filho de José e Maria. Uma chama acendeu, mas juro que não queria, e quando labareda comeu eu já estava em rebeldia, lutando contra o algoz desde o amanhecer do dia. 
Dói demais relembrar uma família em correria, saindo de canto a outro, sem ter sossego e alegria, e só se mantendo viva pelo revide que existia. Se bala viesse de lá, a bala daqui zunia, se tocaiado algum fosse, outra emboscada fazia.

Quando já sem pai e sem mãe, o mundo foi moradia. Ao lado de irmãos seguia nos rastros da valentia, levava comigo a certeza do que o mundo oferecia: lutar contra a injustiça e sua esfomeada sangria, ser um guerreiro do mato, um Lampião que na guerra alumia.

Na chama o Lampião, só assim me conhecia, deixado de lado o Virgulino e o filho de Maria. Foi nos carrascais desse mundo, na vida em descortesia, que empunhei arma e punhal pra viver em rebeldia, caçando e sendo caçado, no prazer e na agonia.
Eram muitos Lampiões que surgiam a cada dia. Na sina do sertanejo a dor que transparecia, maltratado e oprimido, um escravo de sesmaria, nas mãos do senhor coronel a desdita lhe doía, levando peso da canga e açoitado em grosseria.


Uma gente tão sofrida que a sorte lhe consumia, sem vez nem voz protetora, era água de bacia, derramada pelo chute do poder e sua demagogia. Capanga caçando irmão, no sertão a mesma pia, como se violar a pobreza causasse maior alegria. 
O povo desprotegido, a proteção mais queria, mas como encontrar alguém que lhe servisse de guia? Sinhô Pereira, Antônio Silvino ou Lampião, era o sertão que queria, ou alguém lhe defendia ou nada mais restaria.

E de repente Lampião já era o rei do sertão, o que muito enobrecia. Mas um viver de pesar que no prazer se fingia, todo adornado no ouro pra esconder o que a alma carcomia, sem descanso ao relento no peito a nostalgia. A punhalada da sina, na vida toda sangria.

Então no amor fui buscar o alento que queria. Depois de minha mãe Maria, eis que mais uma Maria. Essa toda bonita, flor no cabelo e laço de fita, e dizendo ninguém acredita, mas foi o prazer que tive em meio à vida maldita.


Por vinte anos vivi acendendo um Lampião, tratado com fidalguia, na fama e na honraria. Fui Capitão, do Estado a cortesia, e para fazer aquilo que eu dizia e não fazia. Não deseja fazer o que o poder queria, quando do outro lado o mesmo poder perseguia. 

Foi de conchavo e alinhavo, a trama que eu tecia. Do coronel a igreja, tudo à minha serventia. Mandava um bilhete assinado e logo o que eu queria, bastava me aproximar e toda porta se abria. Se um fogo despontasse, com fogo eu respondia.


Mas um dia o pavio do destino de vez me apagaria. Não foi na luta de homem, mas sim na maior covardia. Emboscaram todo o bando e o meu fim se fazia. Se levanto o mosquetão nada daquilo acontecia.



E foi o fim de Virgulino e também de sua Maria. Mas o homem que se foi na terra permanecia, não conseguiu ao sertão trazer a sua alforria, mas ensinou a lutar contra o mal que lhe oprimia, e continua a ensinar a não aceitar desvalia.


Rangel Alves da Costa, pesquisador, escritor, poeta
Conselheiro Cariri Cangaço - Poço Redondo, Sergipe
blograngel-sertao.blogspot.com

O Ataque de Sinhô Pereira as Fazendas Piranhas e Umburanas,dos Carvalhos. Por:Luiz Ferraz Filho

Clássica foto de Sinhô Pereira e Luis Padre

Geograficamente falando, no inicio do século XX não havia possibilidade nenhuma de frequentar a léndaria Vila de São Francisco (antigo distrito de Villa Bella - Serra Talhada-PE), sem passar nas terras das familias Pereira ou Carvalho. E foi exatamente nesse epicentro das antigas questões que estive visitando. A vila era na época um arruado de comercio pujante. Muitas habitantes frequentavam o povoado que crescia rapidamente as margens do Rio Pajeú. 

Qualquer sertanejo da Vila de São Francisco que desejasse visitar a cidade de Serra Talhada pela estrada velha, teria que passar nas fazendas Barra do Exu, Caldeirão, Escadinha, Varzea do Ú, Piranhas, Três Irmãos, Surubim e Umburanas, todas redutos de familiares dos "Alves de Carvalho". Esse grande número de habitantes fez prosperar essas localidades e conseguentemente da famosa vila , fundada na metade do século XIX por Francisco Pereira da Silva, patriarca dos "Pereiras".

Região rica, tal como todo o solo encontrado nas fazendas do oeste serratalhadense, a Fazenda Umburanas surgiu atraves de um dote recebido pelo fazendeiro Manoel Alves de Carvalho (filho de Jacinta Maria de Carvalho e João Barbosa de Barros - o Janjão da Quixabeira) pelo casamento com a prima Joana Alves de Carvalho, herdeira desta parte de terra que pertencia ao seu pai, o coronel José Alves da Fonseca Barros, que morava do outro lado do Rio Pajeú na Fazenda Barra do Exu. 

Marca de bala na Umburanas...

Deste quartel-general dos "Carvalhos das Umburanas", nasceram os celebres irmãos Jacinto Alves de Carvalho (Sindário), Enoque Alves de Carvalho, José Alves de Carvalho (Zé da Umburana) e Antônio Alves de Carvalho (Antônio da Umburana), e posteriomente os outros irmãos Isabel (Yaya), João de Cecilia (falecido jovem), Aderson Carvalho, Enedina e Adalgisa (Dadá). Foi lá, nesta fazenda, que esses celebres irmãos enfrentaram a questão com os primos Sinhô Pereira e Luis Padre.

Aparentados do major João Alves Nogueira, da Fazenda Serra Vermelha, e de Antônio Clementino de Carvalho (Antônio Quelé), que na época já enfretavam questão com Manoel Pereira da Silva Filho (Né Pereira), era somente questão de tempo e de proposito para que os irmãos Carvalhos (vizinhos da vila São Francisco, onde morava os Pereiras) aderissem a essa questão familiar. E o estopim foi justamente o assassinato de Né Pereira, em outubro de 1916, na Fazenda Serrinha, cerca de 6km da Fazenda Umburanas, dos Carvalhos.

Né Pereira, assassinado em outubro de 1916 pelo jagunço Zé Grande, que levou e entregou o chapéu e o punhal para os familiares dos Carvalhos.

O crime foi cometido pelo ex-presidiario Zé Grande (natural de Palmeira dos Indios-AL), que segundo os Pereiras, era ex-jagunço dos Carvalhos e havia fugido da cadeia para em sigilo incorpora-se ao bando de Né Pereira com a intenção de assassina-lo traiçoeiramente. Após matar Né Pereira quando ele tirava um conchilo, Zé Grande levou o chápeu e o punhal do morto para entregar aos Carvalhos, na Fazenda Umburanas, como prova do crime cometido. Revoltado, Sebastião Pereira e Silva (Sinhô Pereira - irmão de Né Pereira) entra na vida do cangaço ao lado do primo Luis Padre, que teve o pai assassinado em 1907, na Fazenda Poço da Cerca, cerca de 6km para as Umburanas.

Casa velha da Fazenda Umburanas, antiga propriedade de 
Manoel Alves de Carvalho e filhos. 
Francisco Batista da Silva (Chico Julio), 67 anos, morador antigo das fazendas Umburanas e Piranhas relembrando alguns episodio e mostrando as casas 
que foram incendiadas.

Localizada no epicentro da questão "Carvalho" e "Pereira", o comercio da Vila de São Francisco regredia devido a infestação de bandos armados. Em julho de 1917, Sinhô Pereira e Luis Padre, juntamente com mais 23 jagunços, resolveram fazer sua maior vingança com os "Carvalhos", cercando e atacando as Fazendas Piranhas e Umburanas. 

Os proprietarios Lucas Alves de Barros (da Fazenda Piranhas), Antônio Alves de Carvalho (da Fazenda Umburanas) e Jacinto Alves de Carvalho (da Fazenda Varzea do Ú) resistiram ao ataque, juntamente com os Pedros - jagunços e moradores da familia - em um combate épico que durou duas horas. O cabra Manuel Paixão, do bando de Sinhô Pereira, morreu ferido na calçada quando tentava entrar na casa velha da fazenda. "Tomamos a casa do Lucas, que fugiu para a casa de Agnelo (Alves de Barros - irmão de Lucas das Piranhas), bem perto. Depois chegaram mais jagunços, amigos dele. O combate durou quase duas horas. Manuel Paixão e outros três ficaram feridos. Um foi preciso a gente carregar. Era Antônio Grande. Por isso, tivemos que nos retirar. Dizem que morreu um deles e dois ou três ficaram feridos", revelou Sinhô Pereira, em entrevista nos anos 70.


Sindário Carvalho, que juntamente com os irmãos Zé e Antônio das Umburanas, resistiu ao ataque de Sinhô Pereira e Luis Padre as fazendas Piranhas e Umburanas
Casa velha da Fazenda Piranhas, propriedade de Lucas Alves de Barros e filhos.
Escombros da casa de Antonio Alves de Carvalho (Antonio da Umburanas), morto em um duelo com Sinho Pereira. 

Furioso, Sinhô Pereira pôs fogo nos roçados e nas cercas das fazendas, como também, queimou 13 ou 14 casas de moradores e agricultores que trabalham na terras dos Carvalhos, situadas bem próximas uma das outras. Depois, Sinhô Pereira, ainda matou algumas criações, cortando o couro para não ser aproveitado, e "arrombou" os pequenos açudes para os peixes morreram sem água. "A casa grande das Umburanas foi incendiada, como (também) as (casas) das Piranhas, e a minha casa nesta fazenda. Atualmente ali não reside ninguém", falou o fazendeiro João Lucas de Barros (filho de Lucas das Piranhas), em entrevista nos anos 70. 

Após esse ataque de Sinhô Pereira, os Carvalhos abandonaram suas moradas e vieram residir em Serra Talhada (PE), onde devido a influência com a politica da época, se aliaram aos militares e iniciaram uma tenaz perseguição ao bando de Sinhô Pereira e Luis Padre. Iniciava assim a fase mais obscura de uma guerra de vindictas familiares que culminaram na morte de Antônio das Umburanas e a ida de Sinhô e Luis Padre para o sudeste brasileiro. "A impunidade em Vila Bela (Serra Talhada) teve o auge em minha juventude", lamentou Sinhô Pereira, em entrevista meio século depois dos acontecimentos. 

Luiz Ferraz Filho, pesquisador - Serra Talhada,PE
(FONTE): (FERRAZ, Luis Wilson de Sá - Vila Bela, os Pereiras e outras historias) - (LORENA, Luiz - Serra Talhada: 250 anos de historia) - (MACEDO, Nertan - Sinhô Pereira, o comandante de Lampião) -  (AMORIM, Oswaldo - Entrevista de Sinhô Pereira ao Jornal do Brasil em fev.1969) - (FEITOSA, Helvécio Neves - Pajeú em Chamas: O Cangaço e os Pereiras)